Deputados federais alocaram mais de R$ 2 milhões de recursos públicos para impulsionar postagens em redes sociais entre janeiro e junho de 2023. Esse montante representa um aumento significativo, quatro vezes superior ao que foi registrado na última eleição. O levantamento do jornal O Estado de S. Paulo revela que os 513 parlamentares da Câmara utilizam a cota parlamentar para ampliar o alcance de suas publicações, uma prática comum, especialmente em anos eleitorais.
A chamada "bancada da selfie" já é conhecida, e a estratégia de pagar plataformas para garantir que suas postagens alcancem um público maior é legal. Contudo, com a proximidade das eleições, os gastos com impulsionamento aumentaram consideravelmente. O deputado Bruno Ganem, do Podemos-SP, destacou-se como o parlamentar que mais investiu nesse tipo de divulgação, gastando cerca de R$ 30 mil apenas em janeiro. Uma de suas postagens alcançou mais de 3 milhões de visualizações, um número que supera em oito vezes a quantidade de seguidores que ele possui na plataforma.
Outro exemplo é o deputado Alceu Moreira, do MDB-RS, que também conseguiu impressionantes 3 milhões de visualizações em uma publicação, um número equivalente a 14 vezes seus 255 mil seguidores. O especialista Marcelo Crispo explica que, ao impulsionar conteúdos, o alcance se expande consideravelmente, atingindo pessoas que não conhecem o parlamentar, o que não ocorreria com postagens orgânicas.
Esses gastos são cobertos pela cota parlamentar, uma verba pública destinada ao custeio das atividades dos deputados. Cada parlamentar tem um custo aproximado de R$ 2,5 milhões por ano para a Câmara, englobando tanto a verba de gabinete quanto os gastos com divulgação.
O prazo para utilização de recursos públicos para impulsionar postagens se encerrou no último sábado (4). A partir desse momento, apenas os parlamentares que não irão concorrer nas próximas eleições poderão continuar com essa prática. Os candidatos que buscam a reeleição em 2026 poderão iniciar a solicitação de votos apenas a partir de 13 de agosto.
O especialista em Direito Eleitoral Alberto Rollo enfatiza que existem limites claros sobre a utilização da verba pública em períodos eleitorais. Ele ressalta que, em um futuro próximo, quando os pedidos de voto forem permitidos, a utilização de verba de gabinete, que é dinheiro público, também será proibida para esse fim.





