Um levantamento realizado pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apontou que, em um período de dois meses e meio, 544 anúncios fraudulentos relacionados ao programa Desenrola Brasil foram publicados em redes sociais. Os anúncios, que visavam aplicar golpes em usuários, foram veiculados por 48 páginas distintas, sendo que a maioria delas (34) utilizou o nome oficial do programa para enganar as pessoas, resultando em 278 anúncios.
Além disso, 15 páginas promoveram um programa fictício denominado Libera Brasil, veiculando 264 anúncios. Um dos perfis fraudulentos chegou a misturar os dois nomes, ampliando a confusão entre os usuários. O Desenrola Brasil, criado em 2023, tem como objetivo facilitar a renegociação de dívidas. Em maio deste ano, o governo lançou uma segunda versão do programa, o que gerou um aumento nas fraudes.
Os pesquisadores do Netlab informaram que os golpes começaram assim que a primeira versão do Desenrola Brasil foi lançada, em 2023. Em julho do mesmo ano, o Ministério da Justiça determinou a retirada dos anúncios fraudulentos, resultando em uma multa de R$ 9,3 milhões imposta à Meta, empresa responsável pelas redes sociais. Apesar das ações do governo, os anúncios fraudulentos continuaram a ser veiculados, especialmente após o lançamento da nova versão do programa em maio.
De acordo com a análise, 72% dos anúncios fraudulentos utilizam indevidamente o nome e a imagem do governo ou de marcas conhecidas, como sites de notícias e instituições financeiras. Além disso, 19,1% dos anúncios direcionam os usuários a links que se passam por canais oficiais do governo, enquanto 38,1% apresentam conteúdo gerado por inteligência artificial. Essa situação levanta preocupações sobre a segurança dos usuários nas redes sociais, onde a falta de fiscalização adequada permite a circulação de anúncios enganosos.
Marie Santini, uma das pesquisadoras envolvidas no levantamento, destacou que muitos usuários não têm consciência da quantidade de anúncios fraudulentos disponíveis nas redes sociais. Ela enfatizou a necessidade de ações mais rigorosas por parte das autoridades para combater esses crimes e garantir a segurança dos usuários. "As pessoas veem anúncios legítimos e ilegítimos, o que torna o ambiente digital cada vez mais perigoso", afirmou.
A Meta, por sua vez, comunicou que o combate a fraudes e golpes online é uma prioridade para a empresa. A companhia informou que está intensificando seus esforços por meio de tecnologia de inteligência artificial e modelos de linguagem para detectar e remover conteúdos fraudulentos. Além disso, a Meta assegurou que adota políticas rigorosas e oferece ferramentas de segurança e alertas para proteger os usuários, além de cooperar com as autoridades brasileiras conforme a legislação vigente.





