O ômega-3, uma família de ácidos graxos essenciais, é composto principalmente pelo EPA (ácido eicosapentaenoico), DHA (ácido docosa-hexaenoico) e ALA (ácido alfa-linolênico). Este nutriente ganhou notoriedade por suas promessas de melhorar a memória, acelerar o raciocínio e proteger contra doenças neurodegenerativas como o Alzheimer. No entanto, as pesquisas mais recentes indicam que a relação entre o ômega-3 e a saúde cerebral é mais complexa do que as campanhas publicitárias sugerem.
O DHA, em particular, é um componente crucial no cérebro, pois participa da formação das membranas celulares dos neurônios e na comunicação entre as células nervosas. A nutricionista Dra. Camila Aramuni destaca que o cérebro é rico em DHA, essencial para processos relacionados ao aprendizado. Como o corpo humano produz apenas quantidades limitadas de ômega-3, a recomendação é que a ingestão ocorra principalmente por meio da alimentação, com ênfase no consumo de peixes.
Para investigar o potencial de elevação dos níveis de DHA na proteção cerebral, foi conduzido o estudo PreventE4, que foi publicado na revista científica eBioMedicine. Este estudo acompanhou adultos com idades entre 55 e 80 anos e que apresentavam fatores de risco para a doença de Alzheimer durante um período de dois anos.
A importância do ômega-3 na saúde não deve ser subestimada. Pesquisa em populações indica que indivíduos que consomem uma dieta rica em peixes tendem a ter um desempenho cognitivo superior com o envelhecimento. Contudo, esses resultados estão relacionados a um padrão alimentar completo, que envolve outros nutrientes e hábitos saudáveis, e não apenas ao uso isolado de suplementos.
É importante também esclarecer algumas confusões comuns. O termo ômega-3 refere-se ao nutriente em si, enquanto o óleo de peixe é apenas uma das fontes que fornecem EPA e DHA. A eficácia de um suplemento pode variar conforme sua qualidade, concentração e processo de fabricação. Portanto, a seleção do produto deve levar em conta critérios técnicos e não se basear apenas na quantidade de cápsulas consumidas.
A pesquisa sobre o ômega-3 e seu papel no envelhecimento cerebral prossegue, mas o consenso atual é cauteloso. A Dra. Camila Aramuni ressalta que a alimentação deve ser a principal fonte de ingestão do nutriente, com peixes como sardinha, salmão, atum e cavalinha sendo as opções mais recomendadas. A suplementação, quando necessária, deve ser personalizada e orientada por um profissional de saúde.





