A sétima rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada, realizada em São Paulo na última quinta-feira (13), resultou em um impasse entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e os representantes dos bancários. A reunião, que teve início às 10h e se estendeu até as 18h, deixou os trabalhadores frustrados, uma vez que não foram apresentadas propostas de reajuste salarial.
A Fenaban trouxe à mesa uma proposta que incluiu o congelamento do piso salarial para novos contratados, além de sugerir a divisão de reajustes em três faixas, sem especificar critérios ou percentuais para cada grupo. Essa abordagem foi criticada pelos representantes sindicais, que consideraram a proposta inadequada diante das atuais condições do setor.
Durante as discussões, a Fenaban também propôs uma redução no valor dos vales refeição e alimentação para os trabalhadores em cidades do interior, alegando que o custo de vida nessas localidades é menor. Essa proposta foi alvo de críticas da coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, que afirmou que a medida poderia prejudicar os trabalhadores ao dividir benefícios entre diferentes regiões.
A reunião foi marcada por uma ameaça da representação patronal de recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso a proposta não fosse aceita, mas essa posição foi revista após um intervalo nas negociações. O Comando Nacional dos Bancários, por sua vez, ressaltou a discrepância entre os lucros do setor e os salários dos trabalhadores, citando um lucro de R$ 174 bilhões no ano anterior.
A disparidade salarial foi destacada pela liderança sindical, que mencionou que a média da remuneração anual da diretoria dos três maiores bancos privados do Brasil deve alcançar R$ 12,5 milhões em 2026, um valor que supera em mais de 120 vezes o salário de um escriturário.
Diante da falta de acordo, o Comando Nacional dos Bancários convocou assembleias para o dia 17 de agosto, onde serão discutidas as propostas de reajuste e o congelamento do piso salarial. Os trabalhadores também votarão sobre a realização de um Dia Nacional de Mobilização, com paralisações de 24 horas programadas para o dia 20 de agosto. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, enfatizou a importância da mobilização para manter a unidade da categoria.





