A disputa pela Presidência da República em 2026 teve seu pontapé inicial no último domingo (16), com os lançamentos das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em diferentes partes do Brasil. Enquanto o presidente Lula escolheu o Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), para destacar sua trajetória e reforçar a importância das mulheres, Flávio Bolsonaro optou pela orla de Copacabana, onde se apresentou como o sucessor político de seu pai e prometeu o retorno de aliados que deixaram o país após os atos de 8 de janeiro de 2023.
No comício realizado em São Bernardo, Lula, utilizando um chapéu devido a um tratamento de radioterapia contra um câncer de pele, iniciou sua fala exibindo um vídeo em que lia uma carta que havia escrito para si mesmo em 1979. Em seu discurso, o presidente relembrou sua trajetória política e afirmou: "Após 47 anos e ganhar três eleições para a Presidência da República, nem imaginava que poderia reconstruir o Brasil". A defesa das mulheres e o combate à violência de gênero foram temas centrais em sua fala, onde declarou: "Mulheres desse país, não baixem a cabeça nunca, porque os homens têm que aprender a respeitar vocês". Além disso, Lula criticou a gestão anterior, atribuindo a ela parte das mortes ocorridas durante a pandemia.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, reuniu um público de aproximadamente 8,9 mil pessoas em Copacabana, conforme estimativas do Monitor do Debate Político da USP. O senador fez sua apresentação vestindo um colete à prova de balas e uma camiseta com a frase "O Brasil vai vencer", escrita com batom por sua esposa, uma referência a uma manifestante condenada pelos eventos de 8 de janeiro. Em sua fala, Flávio enfatizou a defesa do legado de seu pai e prometeu trabalhar pela segurança pública, afirmando que sua candidatura representa a devolução do Brasil aos brasileiros de bem.
Outros candidatos também marcaram presença no cenário político. Em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) lançou sua campanha após uma missa em Montes Claros, ressaltando sua experiência no setor privado e criticando a política externa de Lula, especialmente em relação à aproximação com Cuba e Venezuela. Zema fez um apelo pela união da direita, destacando a importância de um campo político coeso, citando exemplos de eleições em outros países.
Os lançamentos de campanha de Lula e Flávio Bolsonaro sinalizam não apenas o início da corrida eleitoral, mas também a polarização que deverá marcar as eleições de 2026. Com promessas e ataques mútuos, os candidatos buscam mobilizar suas bases eleitorais e conquistar novos apoios em um cenário político em constante transformação.





