A Comitiva Boa Sorte, oriunda do município de Ubirajara, no estado de São Paulo, foi a grande vencedora do tradicional Concurso da Queima do Alho, realizado durante a 71ª Festa do Peão de Barretos. Este concurso, que ocorre no Rancho Ponto de Pouso, contou com a participação de mais de 20 comitivas de várias regiões do Brasil, todas competindo para demonstrar suas habilidades na culinária típica do estradão.
O concurso tem como objetivo avaliar a autenticidade gastronômica e histórica das receitas que eram utilizadas pelos peões de boiadeiro em suas longas jornadas de transporte de gado. Para recriar a experiência tradicional, os cozinheiros utilizam apenas trempes fincadas no chão de terra e panelas de ferro fundido, preservando métodos que fazem parte da cultura tropeira.
A Comitiva Boa Sorte obteve a melhor avaliação dos jurados em critérios como sabor, ponto de cozimento e respeito às tradições do preparo. A Queima do Alho, uma das manifestações culturais mais significativas da pecuária brasileira, deve seu nome ao costume dos cozinheiros de amassar o alho com sal na gordura de porco quente, criando um aroma característico que sinalizava o início da refeição.
Os avaliadores exigem um cardápio composto por quatro pratos clássicos: arroz de carreteiro, feijão gordo, paçoca de carne seca e carne serenada na chapa. O arroz de carreteiro é feito com carne bovina salgada, enquanto o feijão gordo é enriquecido com cortes suínos como toucinho e linguiça. A paçoca de carne seca é preparada com farinha de mandioca e carne desfiada, criando um alimento que se conserva por longos períodos, ideal para os viajantes.
Além do sabor, os jurados também consideram o tempo de preparo dos pratos, a organização dos utensílios utilizados e a vestimenta tradicional dos participantes. A competição no Rancho Ponto de Pouso é crucial para a preservação da memória do agronegócio brasileiro, relembrando um tempo em que os peões passavam meses em estradas de terra com os rebanhos, antes da modernização das técnicas de transporte.
As comitivas que participam deste concurso ajudam a manter vivos os costumes e a identidade do trabalhador rural. A dedicação na preparação dos pratos reflete a rotina de autossuficiência que caracterizou a vida no interior paulista e em estados vizinhos.





