Crianças e adultos estão engordando cada vez mais. Medicamentos e cirurgia têm indicações importantes, mas não podemos esquecer uma ferramenta fundamental para prevenir e tratar o excesso de peso: mudar o que colocamos no prato e a maneira como vivemos.
Por Prof. Dr. Carlos Machado | Nefrologia e Clínica Geral
A obesidade deixou de ser um problema apenas dos adultos. Estamos vendo cada vez mais crianças e adolescentes com excesso de peso, gordura abdominal e alterações metabólicas que antes apareciam principalmente depois dos 40 ou 50 anos.
O problema não é apenas estético, não é apenas um problema de aparência.
E existe uma questão ainda mais preocupante: uma criança com obesidade tem grande chance de chegar à vida adulta carregando o mesmo problema e suas consequências.
O excesso de gordura, principalmente abdominal, pode caminhar junto com pressão alta, resistência à insulina, diabetes, alterações do colesterol e gordura no fígado. Coração, vasos e rins acabam entrando nessa mesma história, o risco futuro de diabetes, hipertensão, infarto, derrame, gordura no fígado e doença renal.
Por isso, quando uma criança começa a ganhar peso excessivamente, não devemos simplesmente esperar que ela “cresça e emagreça”.
Precisamos olhar para os hábitos daquela casa.
A obesidade começa muito antes da balança
Existe hoje comida disponível praticamente 24 horas por dia.
Refrigerantes, biscoitos, salgadinhos, doces, fast-food, sucos industrializados e uma enorme variedade de ultraprocessados entraram na rotina das famílias.
Ao mesmo tempo, diminuímos o movimento.
A criança que brincava, corria e andava de bicicleta passou horas diante de uma tela. O adulto passa o dia sentado, pega o carro para pequenas distâncias e chega em casa cansado demais para se exercitar.
Criamos uma combinação perigosa: muita energia entrando e pouca energia sendo gasta. Aos poucos, o excesso vai sendo armazenado na forma de gordura, principalmente na barriga.
A balança é apenas uma das consequências.
Será que a primeira solução precisa ser uma caneta?
Os novos medicamentos para obesidade representam um avanço importante e têm indicações médicas bem estabelecidas. A cirurgia bariátrica não resolveu e adicionou desnutrição crônica ao operado.
O problema é imaginar que toda obesidade precise começar por aí.
Existe uma ferramenta muito mais antiga, barata e que continua sendo indispensável mesmo para quem utiliza medicamentos:
aprender novamente a comer.
Não estou falando em passar fome.
Estou falando em trocar produtos ultraprocessados por comida de verdade, organizar as refeições e devolver movimento ao corpo.
Não adianta mandar somente a criança emagrecer enquanto toda a família continua tomando refrigerante e mantendo armários cheios de doces e ultraprocessados.
A mudança precisa acontecer dentro da casa.
Nenhum medicamento consegue substituir definitivamente a educação alimentar e a mudança dos hábitos de uma família.
A Dieta de Adão e Eva: voltar ao alimento de verdade
Foi dessa ideia que surgiu a Dieta de Adão e Eva.
O conceito é muito simples:
quanto mais próximo o alimento estiver da maneira como a natureza o produziu, melhor. Quanto mais a indústria precisou transformar aquele produto, maior deve ser a nossa atenção.
Verduras, legumes, frutas, ovos, carnes, peixes e outros alimentos naturais voltam a ocupar o centro da alimentação. Refrigerantes, bebidas açucaradas, biscoitos, embutidos, fast-food e grande parte dos ultraprocessados deixam de ser a rotina.
Não adianta mandar somente a criança emagrecer enquanto toda a família continua tomando refrigerante e mantendo armários cheios de doces e ultraprocessados.
A mudança precisa acontecer dentro da casa. A criança aprende vendo
Aplicar essa mudança em 21 dias, com uma fase de retirada dos ultraprocessados e posteriormente uma adaptação para uma alimentação que possa ser mantida.
Mas os 21 dias são apenas o começo.
O objetivo verdadeiro não é fazer uma ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL durante 21 dias. É justamente essa a ideia de estratégias alimentares baseadas em alimentos naturais: diminuir aquilo que concentra calorias e oferece pouco valor nutricional e aumentar alimentos que trazem maior saciedade e melhor qualidade nutricional.
É aprender uma maneira diferente de viver e de se alimentar.
A criança não compra o supermercado
Talvez essa seja uma das mensagens mais importantes quando falamos em obesidade infantil.
Não devemos colocar toda a responsabilidade sobre a criança.
Quem compra o refrigerante? Quem coloca o biscoito no armário? Quem decide o jantar? Quem organiza o fim de semana?
Os adultos.
Por isso, em vez de colocar uma criança isoladamente “de dieta”, muitas vezes precisamos mudar a alimentação da família.
A própria lógica prática do Protocolo Adão & Eva começa no supermercado: verduras, legumes, frutas, ovos, aves, peixes e carnes magras formam grande parte da lista de compras.
A melhor educação alimentar não acontece durante uma palestra.
Acontece quando a criança abre a geladeira.
Não basta comer melhor: precisamos voltar a nos movimentar
Não precisamos transformar todo mundo em atleta.
Caminhar, brincar, correr, andar de bicicleta, subir escadas, dançar e praticar esportes já devolvem ao corpo algo para o qual ele foi construído: movimento.
E aqui também os pais ensinam pelo exemplo.
É difícil convencer uma criança a abandonar a tela enquanto os adultos permanecem horas no celular.
No material de manutenção do protocolo, a ideia é justamente transformar o exercício em algo sustentável: começar pela caminhada e buscar regularidade, em vez de exercícios extremos que serão abandonados depois.
O SEGREDO NÃO É PERFEIÇÃO. É REPETIÇÃO.
Não precisamos de uma família perfeita.
Precisamos de uma família que coma bem na maior parte do tempo.
O protocolo que a Dieta de Adão & Eva ensina é uma lógica simples. A intenção é justamente evitar aquela velha história de fazer uma dieta rigorosa, emagrecer e depois voltar exatamente aos hábitos anteriores.
UM DADO IMPORTANTE
A obesidade não deve ser tratada somente quando aparece diabetes ou pressão alta. Quanto mais cedo corrigimos alimentação, sedentarismo e excesso de peso, menor será o tempo durante o qual coração, vasos, fígado e rins ficarão expostos às alterações metabólicas.
O QUE REALMENTE PODE MUDAR UMA FAMÍLIA
- retirar o refrigerante, sucos mesmo os naturais e reduzir bebidas açucaradas da rotina;
• diminuir drasticamente os ultraprocessados;
• voltar a preparar comida de verdade;
• colocar vegetais e alimentos naturais diariamente no prato;
• evitar usar doces como recompensa para crianças;
• reduzir o tempo parado diante das telas;
• estimular caminhada, brincadeiras e atividade física;
• acompanhar peso e principalmente a evolução da cintura;
• avaliar pressão, glicose, colesterol, triglicérides, fígado e função renal quando indicado;
• procurar acompanhamento profissional quando o excesso de peso já estiver instalado.
MENSAGEM AO LEITOR
Não espere aparecer diabetes, pressão alta ou gordura no fígado para começar a mudar.
A obesidade não apareceu porque faltavam canetas emagrecedoras.
Ela cresceu junto com mudanças profundas na nossa alimentação, no tamanho das porções, no consumo de ultraprocessados e na redução da atividade física.
Medicamentos e cirurgia são ferramentas que podem ser necessárias MAS NUNCA SÃO a primeira escolha na Medicina. Canetas ou cirurgias não substituem aquilo que deveria começar muito antes: educação alimentar, comida de verdade, movimento e mudança dos hábitos da família.
Para uma criança, talvez o maior tratamento não esteja dentro de uma farmácia.
Pode começar dentro da própria casa.
| MENSAGEM AO LEITORNão espere. Quanto mais cedo você melhora seus hábitos e cuida do seu peso, mais você previne o pré-diabetes, a pressão, o aumento da creatinina, do colesterol e menor a chance de ter doenças futuras. |
![]() |
Prof. Dr. Carlos Machado —Especialista em Nefrologia e Clínica Geral.
Tratar Pedra nos Rins SEM cirurgia. Controlar a Pressão da maneira correta Evitar o pré-diabetes e Emagrecer sem canetas. Artigo de divulgação científica. ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA – UNIFESP UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO PROFESSOR de Medicina em 3 Universidades Pós-Doutorado – CORNELL UNIVERSITY MEMORIAL SLOAN-KETTERING CANCER CENTER Autor do livro: ‘Você é o que você come…’ @DrCarlosMachado (Instagram, TikTok, YouTube) Consultório WhatsApp +55 11 94565-1396 Perfil profissional: beacons.ai/drcm |






