A utilização da inteligência artificial (IA) tem se tornado uma realidade no planejamento de viagens, permitindo que os turistas escolham seus destinos e experiências antes mesmo de deixarem suas casas. As novas tecnologias são capazes de analisar preferências, tempo disponível e orçamento, sugerindo roteiros, trilhas, cachoeiras e experiências variadas. Contudo, no turismo de natureza, há variáveis que não podem ser controladas por algoritmos, e a interação com o território real, com suas mudanças e imprevistos, é onde as recomendações digitais encontram seus limites.
Um estudo recente da Booking.com revela que 63% dos brasileiros já utilizam a IA para planejar suas viagens, e a projeção é de que esse número alcance 80% até o final do ano. Essa tecnologia oferece facilidades como a descoberta de destinos, otimização do tempo e comparação de preços, indicando uma tendência de crescimento inegável. Em relação ao mercado global de inteligência artificial aplicada ao turismo, a consultoria MarketsandMarkets prevê um aumento significativo, projetando que o setor passará de US$ 2,95 bilhões para US$ 13,38 bilhões até 2030, com uma taxa média de crescimento anual de 28,7%.
Entretanto, a pesquisa da Booking.com também aponta que a confiança dos usuários diminui com o aumento da complexidade nas decisões. Por exemplo, 46% dos entrevistados afirmam que se sentiriam confortáveis em deixar a IA fazer reservas de atividades e passeios, mas apenas 32% estariam dispostos a confiar a ferramenta na escolha de passagens aéreas. Essa incerteza se torna ainda mais palpável no turismo de natureza, onde a experiência não depende apenas da informação disponível, mas também da habilidade de interpretar o ambiente e tomar decisões em situações que podem mudar rapidamente.
Transformar dados e informações em experiências adequadas requer mais do que apenas tecnologia; é necessário um entendimento profundo do contexto, conhecimento local e a habilidade de adaptação às condições do território. A inteligência artificial pode auxiliar na descoberta de experiências, mas a interpretação do ambiente real é fundamental para garantir uma viagem segura e satisfatória.
A política de Destinos Turísticos Inteligentes (DTI), estabelecida pelo Ministério do Turismo em uma portaria de abril, ressalta a importância da inovação e do uso de tecnologias para aprimorar a experiência do visitante, a gestão dos destinos e a competitividade do setor. Além disso, essa política também enfatiza a capacitação profissional e a qualificação dos produtos e serviços turísticos.
As mudanças no comportamento dos turistas ampliam esse desafio. Com o auxílio de ferramentas digitais, há uma tendência de levar visitantes a destinos menos explorados, o que exige que empresas e profissionais estejam preparados para receber esse público, proporcionando informações, segurança e qualidade.



