Atividade física pode beneficiar mulheres em tratamento contra câncer de mama

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A calistenia, que envolve exercícios utilizando o peso do corpo, pode ser incorporada à rotina de mulheres em tratamento ou recuperação de câncer de mama. O câncer de mama se destaca como um dos principais problemas de saúde que afetam mulheres no Brasil. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, entre 2026 e 2028, haverá 78.610 novos casos da doença anualmente no país, o que corresponde a uma taxa de 71,57 casos a cada 100 mil mulheres.

Esse número representa uma média de 215 novos diagnósticos por dia, com variações regionais significativas. No Sudeste, a taxa é de 88,29 casos por 100 mil mulheres, enquanto no Sul é de 77,91. No Centro-Oeste, essa taxa é de 61,32, no Nordeste de 58,02 e, por fim, no Norte, é de 31,28. Diversos fatores, como a estrutura etária da população e o acesso aos serviços de saúde, podem influenciar essas discrepâncias.

Pesquisas recentes têm aprofundado a compreensão dos efeitos do exercício físico em pacientes oncológicos. Uma análise publicada em setembro de 2026 no British Journal of Sports Medicine, que abrangeu 21 ensaios clínicos randomizados, revelou que intervenções estruturadas de exercícios podem melhorar tanto a sobrevida global quanto a sobrevida livre de doença. O estudo também identificou que o risco de morte por qualquer causa foi 18% menor entre os participantes que se exercitaram, com a evidência classificada como de certeza moderada.

Felipe Kutianski, educador físico, destaca que os resultados obtidos não implicam que todos os tipos de câncer ou estágios da doença apresentem os mesmos benefícios. "Esses estudos mostram que o exercício físico não é apenas uma ferramenta para melhorar o condicionamento físico, mas também traz vantagens significativas para a qualidade de vida, força e capacidade funcional de pessoas com câncer", afirma.

Kutianski ressalta que, para aqueles que já praticam calistenia ou desejam iniciar, é fundamental saber que os exercícios podem ser adaptados. O diagnóstico de câncer não deve ser um impedimento para a prática de atividades físicas. Com a avaliação e orientação apropriadas, é possível continuar se exercitando e trabalhar força, mobilidade e autonomia, respeitando cada fase do tratamento.

Ele também enfatiza que o exercício não deve substituir as terapias oncológicas, mas sim atuar como um suporte. "A proposta é auxiliar a pessoa a manter sua capacidade física e adotar uma rotina mais ativa, levando em conta as limitações da condição em que se encontra", conclui o educador físico.