Detento é morto com 160 golpes de estilete em presídio de Santa Catarina

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Investigação conclui que três presos participaram do assassinato brutal dentro do Presídio Regional de Araranguá

Detento é morto com 160 golpes de estilete dentro do Presídio Regional de Araranguá, SC, em ataque que envolveu três presos.

O caso em que um detento é morto com 160 golpes de estilete dentro do Presídio Regional de Araranguá, em Santa Catarina, revela a complexidade da violência no sistema prisional. A vítima, Ramon de Oliveira Machado, de 31 anos, foi atacada no dia 20 de fevereiro enquanto jogava baralho na entrada do alojamento, local que abrigava outros 27 presos.

Detalhes do ataque brutal dentro do Presídio Regional de Araranguá

Segundo o inquérito concluído pela Polícia Civil de Santa Catarina, três detentos conhecidos pelos apelidos Ceifador, Fantasma (Jean) e Romário planejaram e executaram o crime. O ataque começou quando o trio se reuniu nos fundos do alojamento antes de retornar para surpreender Ramon. Ceifador desferiu os primeiros golpes, atingindo o rosto e a nuca da vítima, que tentou fugir em meio à cela.

Ferido, Ramon foi perseguido e sofreu 160 perfurações por estiletes improvisados, usados como armas. Após a agressão, Romário arrastou o corpo até o banheiro, onde lavou a vítima com água sanitária, numa tentativa de eliminar impressões digitais e destruir provas. Em seguida, descartou os estiletes e as roupas no vaso sanitário, dificultando o trabalho pericial.

Indiciamento dos suspeitos e qualificadoras do crime

Os três envolvidos foram indiciados por homicídio duplamente qualificado, considerando motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima, além de fraude processual por destruição de provas. Romário assumiu a autoria logo após o crime, mas permaneceu em silêncio durante o depoimento formal. A investigação, no entanto, confirmou que não agiu sozinho.

O delegado Jorge Ghiraldo destacou que o laudo técnico e os depoimentos confirmaram o uso dos estiletes improvisados e a premeditação do crime. A violência extrema reflete as condições precárias e o ambiente hostil do sistema prisional, onde disputas e vinganças frequentemente resultam em mortes brutais.

Impactos do crime no sistema prisional catarinense

Este assassinato evidencia os desafios enfrentados na gestão de presídios em Santa Catarina e no Brasil. A presença de armas artesanais, mesmo em ambientes controlados, mostra falhas na segurança e na fiscalização das celas. Além disso, o episódio reforça a necessidade de políticas eficazes para evitar a escalada da violência entre detentos.

A investigação e o indiciamento dos envolvidos são passos fundamentais para responsabilizar os autores e tentar inibir ações semelhantes. Entretanto, o sistema penitenciário deve fortalecer a prevenção por meio de monitoramento, controle de objetos proibidos e programas de ressocialização.

Próximos passos: análise e denúncia pelo Ministério Público

Com o inquérito encaminhado ao Poder Judiciário, o Ministério Público de Santa Catarina avaliará as provas e decidirá se oferecerá denúncia contra os três suspeitos. O caso segue acompanhando os trâmites legais para garantir justiça à vítima e à sociedade.

A morte do detento Ramon de Oliveira Machado é um exemplo trágico da violência que persiste dentro dos presídios brasileiros, demandando atenção das autoridades e políticas públicas voltadas à segurança e humanização do sistema penitenciário.