No primeiro confronto televisionado entre os candidatos à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, predominaram ataques, ironias e acusações, enquanto faltaram respostas sobre propostas de governo. O debate, transmitido pela TV, ocorreu enquanto brasileiros ocupavam as ruas para defender suas escolhas políticas.
Flávio Bolsonaro insistiu em acusações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Lula reagiu questionando Daniel Vorcaro e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. A troca colocou familiares e suspeitas no centro do palco, consumindo o espaço que deveria ser dedicado à discussão dos rumos do país.
Os mediadores do debate não conseguiram conter as trocas de acusações. Para que os candidatos falassem sobre propostas, seria necessário restringir o formato e permitir interrupções apenas em casos de ataques gratuitos, além de um momento de checagem em tempo real das declarações. As regras, no entanto, pareceram feitas para entreter, Como no Coliseu, na Roma Antiga.
Ao final, a plateia se manifestou em defesa de seu candidato e a mediação teve dificuldade em conter as tropas. O eleitor que buscava razões para decidir o voto recebeu pouco conteúdo propositivo. Segurança pública, economia, saúde, educação e emprego exigem compromissos com caminhos possíveis, não apenas palavras de ordem ou promessas genéricas.
É cedo para medir o efeito eleitoral do confronto, mas o debate deixou uma frustração: diante da oportunidade de apresentar um projeto de país, os candidatos gastaram energia tentando desqualificar um ao outro. O Brasil precisa escolher quem vai governá-lo pelos próximos quatro anos e merecia sair desse encontro com mais respostas e menos motivos para desconfiar.


