Donald Trump seguirá na Casa Branca por mais dois anos, mas terá de governar com um Congresso controlado pelos democratas, vencedores das eleições de meio de mandato Nos Estados Unidos. A vitória mais expressiva ocorreu no Senado, onde os democratas conquistaram ampla maioria nas 35 cadeiras em disputa e, a partir de janeiro de 2027, ocuparão 54 das 100 vagas. Na Câmara, com a apuração ainda em andamento, já asseguraram mais de 230 das 435 cadeiras.
A derrota de Trump na eleição para a Câmara dos Representantes era esperada e está confirmada. No Senado, era uma possibilidade real, mas menos esperada, e também se confirmou. Nos Estados Unidos, a Presidência da República tem poder gigantesco, mas o Congresso americano também é poderosíssimo, com enorme controle sobre o Orçamento e comissões de grande poder de controle e de fogo quando está na oposição. Estar em minoria Na Câmara já é muito ruim para Donald; ser também minoritário no Senado é um completo desastre, segundo um comentarista americano que usou a expressão 'desastre bíblico' para a situação do presidente, agora menos poderoso.
Trump enfrentará contestações a políticas que tem imposto com muita força. Terá seu governo e ele mesmo escrutinado por investigações duríssimas e confrontações. Em seu governo anterior, enfrentou dois pedidos de impeachment que tramitaram Na Câmara e foram barrados no Senado, onde conseguiu manter sua maioria. Agora, terá que negociar e, mesmo fazendo isso, poderá ser retirado, a depender de uma situação em que fique realmente exposto. Ele tem hoje aprovação de 32% dos americanos.
O candidato derrotado no Brasil e hoje homiziado em Miami teve, ao que tudo indica, cobertura total dos americanos na fuga, mas foi informado de que Trump não o receberia. Com esse desastre, o republicano não irá perder tempo nem se arriscar a posar para uma foto com o foragido. O 'líder do Brasil' ficará isolado e sem possibilidade de cobrar ajuda do 'amigo', agora um pato manco. Trump nem reconheceu o resultado das eleições brasileiras. Agora precisa primeiro reconhecer sua derrota.
No front interno, o governo comemora a aprovação, em dois turnos no Senado, da PEC da Segurança Pública (PEC 221/2025). A proposta cria o SUSP e estabelece um marco constitucional para a área, delimitando as competências da União, dos estados e dos municípios. A polêmica sobre a redução da maioridade penal ficou de fora. Com 73 votos no primeiro turno e 75 no segundo, a aprovação foi esmagadora. Lula poderá cumprir ainda neste ano uma das promessas de seu quarto mandato: criar o Ministério da Segurança Pública. Ao garantir a votação, Alcolumbre confirmou-se como aliado imprescindível do Planalto e fortaleceu sua candidatura à recondução. A bancada bolsonarista, desnorteada e sem liderança, não conseguiu impor sua agenda.





