Faep alerta para impacto de Estradas Rurais sem conservação no escoamento da safra

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Com a safra de verão se aproximando, o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, alerta que a falta de conservação das Estradas Rurais pode comprometer o escoamento da produção agrícola paranaense a partir do início do próximo ano. Segundo ele, o debate sobre investimentos na malha rodoviária do Estado precisa voltar à pauta para garantir a circulação de insumos, máquinas, trabalhadores e alimentos. "As Estradas Rurais são o primeiro elo da cadeia logística do agro. Tanta chuva, sem um plano, preocupa", afirma Meneguette.

Produtores rurais relatam dificuldades para transportar a produção até os centros consumidores e o Porto de Paranaguá. Em Paranavaí, no Noroeste do Estado, o avicultor Adailson Xavier conta que precisa percorrer até 20 quilômetros de estrada de terra para levar os frangos à indústria. "Quando o frango completa 40 dias, precisa sair do aviário rumo à indústria, faça chuva ou sol", diz. Com dois aviários de 40 mil aves cada, ele movimenta quase meio milhão de animais por ano em seis lotes. "Se um caminhão atola, o frango morre no transporte ou há atraso no abate, é prejuízo que vem para o nosso bolso", lamenta.

O secretário de Agricultura de Paranavaí, Tarcísio Barbosa de Souza, afirma que o município tem mais de 500 quilômetros de Estradas Rurais, dos quais 40 estariam com problemas. A equipe trabalha em regime emergencial, priorizando o escoamento da safra e o transporte escolar. "O município não consegue sozinho. Se não tiver recurso da União e do Estado, não faz", desabafa. Dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) mostram que, até 13 de outubro, choveu 285,2 milímetros em Loanda, perto de Paranavaí, contra a média de 174,3 milímetros para todo o mês de outubro, alta de 64%. Foz do Iguaçu registrou 372,4 milímetros, contra 262,2 milímetros, e outras cidades como Santa Helena (284,4 mm), Assis Chateaubriand (254 mm) e Telêmaco Borba (214,4 mm) também superaram a média mensal.

Diante do cenário, o Sistema Faep defende um plano emergencial para garantir o escoamento da safra e o acesso à educação e à saúde no campo. Em agosto, a entidade apresentou ao então candidato e agora governador eleito Sergio Moro quatro propostas sobre o tema, entre elas a instituição de um Programa Estadual Permanente de Estradas Rurais, com recursos contínuos e critérios técnicos de priorização, e a criação de um fundo estadual específico para apoiar os municípios. O economista e pesquisador Everton Lima Costa, do Esalq-Log, afirma que o Paraná está em situação melhor que outros Estados, mas ressalta problemas recorrentes de drenagem e manutenção de pontes. "O principal problema é a necessidade de drenagem, que não é realizada em todas as estradas", explica.

Segundo o estudo, a malha vicinal prioritária do Estado tem 136,6 mil quilômetros, dos quais 23 das 39 microrregiões paranaenses foram classificadas como prioritárias. A microrregião de Paranavaí reúne cinco grupos de alta produção: bovinos, cana, citros, frangos e suínos. Só nas estradas terciárias da microrregião, que somam 527 quilômetros, estima-se R$ 14,6 milhões por ano para adequação e manutenção. Para todas as estradas vicinais prioritárias, seriam necessários R$ 116,44 milhões anuais, e para toda a malha vicinal prioritária do Estado, o custo chega a R$ 2,2 bilhões por ano, dos quais R$ 1,9 bilhão para adequação de vias precárias. No país, a precariedade das vicinais gera cerca de R$ 6,4 bilhões por ano em custos operacionais.