Quarenta anos após a explosão do reator número 4 da usina de Chernobyl, a cidade de Pripyat, na Ucrânia, permanece em estado de abandono. Os veículos foram deixados à beira das ruas, enquanto brinquedos, restos de eletrodomésticos e placas em língua russa que indicam níveis de radioatividade estão espalhados ao redor das casas. Os prédios estão vazios, com janelas quebradas e portas abertas, refletindo um passado que ficou para trás.
Pripyat, que foi inaugurada em 1975 e contava com 160 edifícios, 13,5 mil apartamentos, 15 jardins de infância e cinco escolas, era um símbolo do orgulho soviético no setor de energia nuclear. A cidade foi planejada para abrigar os trabalhadores da usina, que deveria ter um total de 12 blocos de reatores. No entanto, em 26 de abril de 1986, o reator 4 explodiu, alterando para sempre o curso da história da região.
A tragédia resultou na evacuação de quase 50 mil pessoas, que deixaram suas vidas e lares para trás. Quarenta anos depois, a vegetação tomou conta do espaço urbano. Arbustos e árvores crescem descontroladamente, enquanto as estruturas deterioradas se tornam cada vez mais parte da paisagem, simbolizando o impacto duradouro do desastre nuclear.
Volodimir Vorobei, um ex-morador de Pripyat, relembra como, aos 18 anos, trabalhava como eletricista e, no dia anterior ao acidente, estava instalando linhas de energia para o reator que viria a explodir. Ele revisita as memórias de sua infância, apontando para a rua Lesya Ukrainka e o prédio onde viveu com a família. Ao entrar em seu antigo apartamento, ele encontra um disco de vinil jogado no chão, que o transporta de volta aos dias em que ouvia música com seus familiares.
Apesar da saudade, Vorobei é cético em relação à sua saúde e à radiação que pode ter recebido desde 1986. Ele menciona a possibilidade de obter um certificado sobre a dose de radiação, mas afirma que não tem interesse. Ao refletir sobre o impacto da catástrofe em sua vida e no futuro da Ucrânia, ele acredita que a história teria sido diferente se o desastre não tivesse ocorrido.
A explosão em 1986 teve repercussões que se estenderam por toda a Europa e, após o acidente, o último reator da usina foi desativado em 2000. A cidade de Pripyat, uma vez vibrante, agora é um lembrete do que foi perdido e dos desafios que persistem no legado da Energia Atômica.





