Renan Santos critica proposta de voto distrital por fortalecer o Centrão

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O pré-candidato à Presidência da República pelo movimento Missão, Renan Santos, expressou críticas severas à implementação do voto distrital puro no Brasil durante sua participação no programa Canal Livre. Ele destacou que essa mudança não traria a renovação política que a sociedade almeja, mas, ao contrário, fortaleceria a influência de grupos políticos tradicionais e famílias que já dominam currais eleitorais em várias regiões do país.

Santos defendeu que o novo modelo de distritos funcionaria como um impulsionador do chamado "centrão", ressaltando que a atual distribuição de emendas parlamentares facilita a compra de votos. Para ele, essa dinâmica permite que políticos estabeleçam e mantenham suas hegemonias regionais com maior facilidade. "O voto distrital puro no Brasil é apenas Empoderamento do Centrão", afirmou Santos, alertando que o debate de ideias em torno da política seria sufocado pelo poder econômico local.

Além disso, o pré-candidato criticou o que chamou de "democracia nominal" presente em muitos municípios, onde o processo eleitoral é distorcido pelo uso da máquina pública. Ele denunciou práticas em que prefeitos utilizam emendas de deputados aliados para financiar eventos populares, o que, segundo ele, resulta na "compra do voto puro e simples", mascarando a falta de políticas públicas essenciais e efetivas.

Santos apontou que, em regiões afetadas pela extrema pobreza, a carência de serviços básicos, como saneamento, se torna uma realidade aceita pela população. Esse quadro, conforme argumentou, dificulta a capacidade dos eleitores de avaliar criticamente a gestão pública e favorece políticos que priorizam o assistencialismo em detrimento de melhorias estruturais na qualidade de vida da população.

Como uma alternativa à reforma eleitoral, Renan Santos propôs a criação de uma Lei de Responsabilidade Gerencial. Essa proposta tem como objetivo modificar o sistema de incentivos para gestores municipais com base em dois pilares principais: a definição de Metas Obrigatórias para Reeleição e o financiamento por desempenho. Com a primeira medida, o direito de um gestor concorrer a um novo mandato estaria atrelado ao cumprimento de indicadores objetivos, como a ampliação da rede de esgoto e melhorias nos índices educacionais.

A proposta também sugere que a distribuição do Fundo Partidário seja condicionada à performance administrativa dos prefeitos, em vez de apenas considerar o número de votos obtidos. Para Renan Santos, sem uma mudança nas motivações das lideranças políticas, qualquer modelo eleitoral — seja ele distrital, misto ou de lista fechada — continuará a perpetuar a ineficiência no sistema político atual. Essa proposta visa incentivar os partidos a escolher administradores capacitados, ao invés de apenas figuras populares, para garantir a sustentabilidade financeira e eleitoral das legendas.