Mudança na jornada de trabalho gera preocupações no setor de shoppings

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A proposta de mudança na jornada de trabalho, com a possível eliminação da escala 6×1, gerou preocupações significativas entre os representantes do setor de Shopping Centers. A expectativa é de que, caso essa alteração seja aprovada sem um adequado período de transição e sem medidas compensatórias, o setor enfrente um aumento nos custos operacionais, uma redução no número de empregos e um crescimento da informalidade no mercado.

De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers, os shoppings operam em um regime intensivo, com as lojas abertas todos os dias da semana, o que demanda um modelo de escala contínua. A adoção de jornadas mais curtas exigiria a contratação de um número maior de funcionários, o que, por sua vez, elevaria consideravelmente a folha de pagamento. Essa situação representa um desafio especialmente para os pequenos lojistas, que são responsáveis por mais da metade das operações em shoppings.

A entidade estima que a mudança pode resultar em uma queda nas vendas, aumento da vacância e até o fechamento de lojas. As previsões apontam para perdas bilionárias no faturamento anual do setor, além de uma redução significativa no número de empregos formais disponíveis.

Outro efeito esperado dessa transformação é a aceleração da automação nas operações de varejo. Com o aumento dos custos trabalhistas, é provável que as empresas busquem investir em soluções de autoatendimento, especialmente nas áreas onde a tecnologia ainda não foi implementada. Especialistas alertam que essa transição pode ocorrer de maneira abrupta, sem oferecer tempo suficiente para a requalificação dos trabalhadores afetados.

O setor solicita que quaisquer mudanças na legislação considerem as particularidades dos diferentes segmentos da economia, o porte das empresas e a necessidade de diminuição dos encargos trabalhistas. Além disso, é pedida uma maior margem de tempo para adaptação, fundamentada em estudos que analisem os impactos e experiências internacionais.

Atualmente, a discussão sobre a jornada de trabalho avança no Congresso e se torna cada vez mais relevante no debate público, especialmente em um ano eleitoral. O desafio para empresários e trabalhadores será encontrar um equilíbrio entre a busca por uma melhor qualidade de vida e a preservação dos empregos e da atividade econômica.