Brasil busca autonomia na produção de fertilizantes para o agronegócio

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O Brasil se depara com a necessidade urgente de diminuir sua dependência de fertilizantes importados, insumos fundamentais para a manutenção da produtividade agrícola. Atualmente, o país importa cerca de 80% dos fertilizantes utilizados em suas lavouras, o que torna sua economia vulnerável a choques externos. Recentemente, a instabilidade geopolítica no Oriente Médio provocou uma alta nos preços, com a ureia, por exemplo, apresentando um aumento de 30% em um curto espaço de tempo.

Essa situação contrasta com a realidade de outras grandes potências agrícolas. Nos Estados Unidos, apenas 6% do nitrogênio e 13% do fósforo utilizados na agricultura são provenientes de importações, enquanto o Brasil depende do mercado externo para 90% do nitrogênio e 80% do fósforo necessários para a produção de alimentos. Especialistas alertam que a escassez e os altos preços desses insumos têm um impacto direto na segurança alimentar global, com estimativas indicando que até 10 bilhões de refeições podem deixar de ser produzidas semanalmente em decorrência desses fatores.

No Brasil, apesar de possuir um subsolo rico em minerais estratégicos, o setor produtivo enfrenta diversos obstáculos, incluindo barreiras ambientais, falta de investimentos e entraves judiciais complexos. O Plano Nacional de Fertilizantes, que foi lançado em 2022 com a meta de reduzir a dependência de importações para 50%, ainda enfrenta dificuldades na sua implementação.

Em uma tentativa de reverter essa situação, a Petrobras anunciou a retomada de investimentos de 1 bilhão de dólares na unidade de Três Lagoas, localizada em Mato Grosso do Sul. O objetivo da estatal é reativar a produção de ureia, que poderá atender 15% da demanda nacional. Contudo, o setor de fosfatados sofreu um retrocesso recente com o fechamento de fábricas da Mosaic em Minas Gerais, resultando em uma perda de 1 milhão de toneladas na produção nacional.

Um projeto que é considerado estratégico, mas que se encontra paralisado, diz respeito à exploração de potássio no Amazonas pela empresa Potássio Brasil. Esse projeto possui potencial para reduzir em 25% as importações desse insumo específico, mas está estagnado desde 2015 devido a impasses judiciais e discussões relacionadas ao impacto em áreas indígenas. O avanço dessas iniciativas é crucial para que o Brasil consiga mitigar os riscos de crises externas que podem afetar a produção de alimentos.