São Paulo ocupa a sétima posição entre as cidades mais barulhentas do planeta

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De acordo com um levantamento realizado pela plataforma Preply, São Paulo se destaca como a sétima cidade mais barulhenta do mundo. Esse dado evidencia um cenário preocupante de poluição sonora, resultado da alta densidade populacional, do intenso tráfego de veículos e da presença constante de canteiros de obras. A capital paulista está atrás apenas de metrópoles como Paris, Nova York, Hong Kong, Londres, Los Angeles e Barcelona, onde Paris lidera o ranking com uma densidade populacional de 21 mil habitantes por quilômetro quadrado.

O aumento das queixas relacionadas ao ruído na cidade é um reflexo direto desse cenário. No primeiro trimestre de 2026, o número de reclamações registradas no Programa Silêncio Urbano (Psiu) cresceu 18% em comparação ao mesmo período do ano anterior, 2025. A poluição sonora, muitas vezes invisível, é classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a segunda maior causa ambiental de adoecimento, ficando atrás apenas da poluição do ar.

Os efeitos da exposição prolongada a altos níveis de ruído vão além dos danos auditivos imediatos. Em São Paulo, o nível de ruído médio chega a 70 decibéis, superando o limite recomendado para o bem-estar humano, que é de 55 decibéis. O médico Gonzalo Vecina alerta que o som excessivo atua como um agente estressor, impactando a saúde mental e física da população. "Quando o som gera estresse, temos uma afetação na saúde mental e também na pressão arterial, pois o estresse faz com que a pressão sanguínea aumente", explica Vecina.

Além do aumento da pressão arterial, a poluição sonora crônica pode prejudicar a qualidade do sono e elevar o risco de doenças cardiovasculares. Para lidar com essa questão, os especialistas argumentam que a conscientização individual não é suficiente sem a ação efetiva do poder público. Gonzalo Vecina enfatiza que a construção de uma cidade mais silenciosa requer um conjunto rigoroso de normas que definam níveis máximos de ruído e horários permitidos para atividades barulhentas.

A solução para o problema, segundo os especialistas, passa pela criação de leis mais rígidas e pela aplicação efetiva de penalidades para aqueles que não respeitam os limites de decibéis estabelecidos pela legislação municipal. O desafio está em alcançar um equilíbrio que permita a convivência pacífica entre a urbanização e o bem-estar dos cidadãos.