Estudantes de uma escola técnica no Rio de Janeiro projetaram robôs destinados a auxiliar o Corpo de Bombeiros durante operações de salvamento. Os protótipos, equipados com sensores e cabos, têm a função de acessar escombros e áreas de difícil alcance, permitindo a identificação de perigos antes da chegada das equipes humanas. O desenvolvimento ocorreu no âmbito do Projeto Minerva, um curso extra oferecido pela Faetec de Marechal Hermes, localizado na Zona Norte da cidade.
O primeiro modelo, nomeado Guará, foi concebido como um carrinho explorador. O estudante Natan afirmou que a principal função do equipamento era monitorar níveis de gás e temperatura em ambientes confinados. A proposta do projeto se baseou na premissa de que a segurança dos socorristas deve ser priorizada em qualquer operação. Com o envio do robô para o local, os bombeiros têm a possibilidade de verificar se o ambiente é seguro para a entrada das equipes.
A partir do conceito do Guará, os alunos avançaram para a criação da Sara, um protótipo com um design que se assemelha a uma aranha. Essa nova versão foi projetada para alcançar locais ainda mais complicados, como terrenos com degraus e obstáculos irregulares. A inovação tecnológica teve como objetivo fornecer uma solução versátil para diversos cenários de desastres, tanto urbanos quanto naturais.
Para testar a eficácia dos robôs, as turmas realizaram simulações computacionais inspiradas em eventos reais, como o desabamento de dois prédios na Muzema, em 2019, que resultou na morte de 24 pessoas na Zona Oeste do Rio. De acordo com as projeções dos alunos, a utilização coordenada dos robôs Guará e Sara poderia ter possibilitado o resgate de seis a oito vidas adicionais, melhorando o tempo de resposta e a precisão nas buscas sob os escombros.
Os projetos foram destacados em feiras de inovação, onde os estudantes tiveram a oportunidade de se conectar com engenheiros e profissionais do setor tecnológico. Para o aluno Cauã, essa vivência representou uma etapa importante na transição de sua curiosidade infantil para a formação profissional. O professor Robinson, que coordena a iniciativa, ressaltou que o projeto promoveu conhecimentos sobre sustentabilidade e habilidades fundamentais para qualquer carreira que os jovens decidam seguir no futuro.
O êxito dos primeiros protótipos inspirou a elaboração de um terceiro projeto, atualmente em desenvolvimento por uma nova turma de alunos: uma mão robótica que opera com reconhecimento de imagens por câmera. Assim como seus predecessores, este dispositivo foi projetado para atuar em operações de resgate, ampliando as capacidades de manipulação de objetos em ambientes perigosos.





