O índice de confiança do consumidor no Brasil registrou uma queda significativa, alcançando 49,2 pontos em abril de 2026. Este resultado, abaixo da marca de 50 pontos, considerada neutra, indica um retorno ao pessimismo, após um período de 18 meses de confiança crescente. A pesquisa foi realizada pela Ipsos, que tem monitorado o sentimento dos consumidores no país.
Rafael Lindemann, diretor de experiências da Ipsos, destacou em entrevista ao Jornal Gente que a diminuição da confiança está diretamente ligada à percepção negativa da situação econômica atual e das finanças pessoais dos brasileiros. O chamado "termômetro do presente", que mede a situação financeira pessoal, caiu para 39,4 pontos, refletindo uma avaliação preocupante entre a população.
A pesquisa revelou que 60% dos entrevistados afirmam não se sentir confortáveis com a quantia de dinheiro disponível para realizar compras no dia a dia. Além disso, 59% dos brasileiros se sentem menos à vontade para consumir em comparação com seis meses atrás. O cenário é ainda mais alarmante para compras de maior valor, como veículos e bens duráveis, onde 64% da população não se sente segura.
A Ipsos conduziu entrevistas online com aproximadamente 2 mil brasileiros mensalmente, abrangendo diversas classes sociais e regiões do país. Essa metodologia permite que o estudo seja comparado com dados coletados em outros 30 países, apresentando um panorama global da confiança do consumidor.
A pesquisa também revelou que o pessimismo é mais acentuado entre grupos específicos, como a geração Z e as mulheres, que se mostram mais preocupadas com a capacidade de poupança e os riscos de desemprego. Lindemann enfatizou que, além das questões locais, fatores internacionais, como a variação de preços e incertezas geopolíticas, também têm influência sobre a confiança do consumidor.
O nível de endividamento da população contribui para a percepção negativa, com 72% dos brasileiros considerando sua situação financeira pior em comparação ao período anterior. O aumento da inadimplência agrava ainda mais essa realidade.





