A influência maternal na escolha da medicina: a história de Aline e Sandra Marques

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O podcast Quero Estudar Medicina, em celebração ao Dia das Mães, apresentou um episódio especial que explorou a continuidade da carreira médica entre gerações. A apresentadora Babi Fava recebeu as médicas Sandra Marques e Aline Marques, que compartilham a especialidade de ginecologia e obstetrícia. A discussão girou em torno da influência da mãe na escolha profissional e como essa relação moldou a trajetória de Aline, transformando a medicina em um elo familiar.

Aline Marques destacou que sua decisão de seguir a mesma especialidade que a mãe foi espontânea e não resultou de pressões externas. Desde pequena, ela estava imersa em um ambiente médico, cercada por amigos da família e ouvindo relatos de situações desafiadoras que despertaram seu interesse em acompanhar a vida das pessoas. Ela atualmente atua no Hospital Santa Joana, onde sua mãe trabalhou por muitos anos.

Sandra Marques, com mais de 40 anos de experiência na medicina, relembrou os desafios que enfrentou no início de sua carreira, em um período com menos recursos e uma presença feminina ainda incipiente na área. Ela ressaltou que a obstetrícia é uma especialidade que exige disponibilidade e maturidade, já que não possui horários fixos e demanda dedicação intensa.

A médica também abordou a importância do suporte familiar, ressaltando que seu marido desempenhou um papel crucial na divisão das responsabilidades domésticas, permitindo que ela equilibrasse os plantões e a criação dos filhos. Sandra expressou que a rotina de plantões muitas vezes gerava um sentimento de culpa por estar ausente de casa por longos períodos.

Apesar de seguir a mesma carreira, Aline buscou manter sua independência profissional. Para isso, escolheu realizar sua residência médica em uma instituição distinta da onde sua mãe atuava na gestão, evitando comparações e buscando um caminho próprio. Hoje, ambas atuam como colegas, discutindo casos clínicos e trocando experiências. Aline contribuiu com a informatização do consultório, enquanto Sandra é reconhecida como uma referência técnica, especialmente em mastologia e diagnóstico por imagem.

As médicas concordaram que a residência médica é uma fase crítica da formação, que supera em importância a própria graduação, pois oferece a imersão prática essencial. Aline comentou que, no futuro, a inteligência artificial poderá auxiliar os médicos em diagnósticos, mas enfatizou que o contato humano e a humanização no atendimento permanecem insubstituíveis pela tecnologia.