Acordo entre Mercosul e União Europeia é oficializado com inícios de novas oportunidades

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O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi oficialmente implementado nesta sexta-feira, 1º de maio, após longas 27 anos de negociações. O tratado une os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além da Bolívia, que está em processo de adesão — aos 27 países que compõem a União Europeia. Esse vínculo cria um imenso mercado de 720 milhões de consumidores, com um Produto Interno Bruto estimado em mais de 22 trilhões de dólares.

A primeira fase da implementação do acordo se concentra na parte comercial, que inclui a redução de tarifas, a facilitação do comércio e novas normas para compras governamentais. Com isso, a União Europeia passará a eliminar tarifas de importação para mais de 5 mil produtos, abrangendo cerca de metade do total negociado. Ao longo do tempo, a expectativa é que mais de 90% do comércio entre os dois blocos seja liberalizado, promovendo um ambiente comercial mais dinâmico.

Os impactos sobre o setor industrial são imediatos, com produtos como máquinas e equipamentos tendo acesso quase total ao mercado europeu sem a imposição de tarifas. Além disso, centenas de itens dos setores alimentício e metalúrgico também se beneficiam dessa nova realidade comercial.

O acordo foi estruturado em dois formatos distintos para facilitar sua implementação. Um dos formatos ainda requer aprovação de todos os países europeus, um procedimento que se mostra desafiador a curto prazo. Isso porque a ratificação deve ocorrer no Parlamento Europeu e nos parlamentos de cada um dos 27 países do bloco, além de passar pela análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, onde já há contestações judiciais por parte de países que se opõem ao acordo. Portanto, um modelo temporário foi acionado para garantir a aplicação das medidas comerciais neste momento.

Entretanto, a resistência ao acordo é notável, especialmente entre agricultores europeus, com destaque para os da França, que expressam preocupações sobre a concorrência com produtos oriundos da América do Sul e, em especial, com a força do agronegócio brasileiro. No contexto francês, a agricultura é caracterizada por ser predominantemente familiar e receber subsídios do governo.

Para mitigar essa pressão, a União Europeia implementou limites de importação e mecanismos de proteção para setores considerados sensíveis, como carnes, aves e arroz. Apesar das resistências, o acordo é avaliado por empresários como um avanço significativo para a ampliação de mercados, aumento da competitividade e maior previsibilidade no comércio entre as duas regiões. Em um cenário geopolítico repleto de tensões e guerras comerciais, o Brasil busca consolidar e expandir seus acordos comerciais.