Na última segunda-feira, dia 4 de maio, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) promoveu uma audiência pública no plenarinho com o objetivo de discutir propostas para a inclusão social, educacional e na saúde de jovens e adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O evento, proposto por Pedro Paulo Bazana, destacou a importância de abordar não apenas o diagnóstico precoce do autismo, mas também as necessidades específicas dessa população ao longo da adolescência e na vida adulta.
Bazana enfatizou que é crucial garantir qualidade de vida para indivíduos com TEA e suas famílias, propondo um maior avanço nas políticas de atendimento. "Queremos levar isso ao Paraná e ao Brasil para que possamos, junto com esses profissionais, buscar mais atendimento qualificado, qualificar ainda mais os nossos profissionais e garantir qualidade de vida a adolescentes e adultos com TEA. Já avançamos muito, mas ainda há muito a ser feito", afirmou.
A deputada Flavia Francischini, 1ª vice-presidente da Assembleia e mãe de um adolescente autista, ressaltou que a sociedade frequentemente se concentra no autismo infantil, negligenciando a preparação para as transições na adolescência e na vida adulta. "Estamos trabalhando para garantir acesso, emprego e oportunidades para esses jovens e adultos", declarou.
Rogério Carboni, ex-secretário de Desenvolvimento Social e Família do Paraná, abordou a necessidade de ampliar a discussão e o cuidado com pessoas com autismo. Ele sublinhou que a condição requer atenção contínua e diferenciada, de acordo com o grau de suporte necessário para cada indivíduo. Carboni alertou sobre a visão distorcida que muitas vezes se tem sobre o autismo, que é romantizado como sinônimo de inteligência ou hiperfoco, mas que pode envolver muito sofrimento tanto para os autistas quanto para suas famílias.
Durante a audiência, mães de crianças e adolescentes com autismo compartilharam suas experiências, revelando as dificuldades enfrentadas, especialmente em relação ao acesso à educação e serviços adequados. Uma dessas mães expressou sua preocupação com o futuro do filho, afirmando que, ao atingir a adolescência, muitas portas se fecham e a falta de escolarização gera insegurança sobre o que fazer.
Esse debate na Alep reflete um movimento crescente em direção à inclusão e à criação de políticas públicas mais eficazes para atender às necessidades de jovens e adultos autistas. A discussão também se alinha com as demandas da sociedade civil por uma abordagem mais humanizada e respeitosa em relação ao autismo, visando garantir direitos e oportunidades para todos os indivíduos afetados pela condição.





