A recente derrota de Alexandre Curi na eleição para o Senado deixa marcas visíveis, mas não apaga sua trajetória política. Com seis mandatos na Assembleia Legislativa, Curi construiu uma presença consolidada no Paraná, que não se desvanece com uma única derrota. A disputa que perdeu não define sua história política.
Entretanto, a responsabilidade pela derrota não recai apenas sobre Curi. O governador Ratinho Junior também deve ser considerado, pois demorou a escolher seu sucessor e ao final optou por Sandro Alex. Esta escolha não se mostrou a mais acertada, uma vez que Alex não possuía a capilaridade necessária para uma eleição em um estado diversificado como o Paraná, que possui 399 municípios.
Ratinho, com índices de aprovação em torno de 80%, acreditou que poderia transferir votos com facilidade. Essa decisão estratégica demonstrou-se falha quando Alex começou a apresentar dificuldades, enquanto Sergio Moro, ao longo dos anos, consolidava sua candidatura ao Palácio Iguaçu.
A situação se complicou ainda mais quando ficou claro que a candidatura de Sandro Alex não avançava, sendo que Curi acabou sendo prejudicado por uma estratégia que não foi elaborada em seu gabinete. O fato de Curi ter recebido mais votos do que o próprio candidato governista ao Palácio Iguaçu evidencia que ele possuía uma base eleitoral significativa e que uma oportunidade valiosa foi perdida.
Agora, Alexandre Curi precisa reorganizar seus aliados e traçar um novo projeto político. É precipitado afirmar que sua carreira chegou ao fim. Na política paranaense, derrotas eleitorais muitas vezes são apenas paradas em uma jornada mais longa. Curi ainda conta com uma vasta experiência e uma rede de relacionamentos construída ao longo do tempo.
Embora as urnas tenham sinalizado um “não” nesta ocasião, isso não significa um “nunca” definitivo. A reflexão que permanece é sobre a escolha feita por Ratinho Junior: se outra decisão tivesse sido tomada quando havia oportunidade, o resultado da eleição poderia ter sido diferente.




