O preço do leite ao consumidor tem apresentado um aumento acentuado no início de 2026, reflexo da diminuição de 3,6% na produção nacional entre janeiro e fevereiro. A elevação nos custos de produção, aliada a fatores climáticos adversos e à concorrência externa, também contribui para a alta dos preços de derivados, como queijo e iogurte.
Dados do Cepea/Esalq revelam que, no comparativo com o ano anterior, o leite sofreu uma desvalorização de 23% para o produtor, enquanto o leite longa vida experimentou uma alta de 11,7% nas prateleiras em março. Essa situação levou muitos produtores, como o pecuarista César, a enfrentar prejuízos e a reduzir novos investimentos no setor.
Em 2025, a importação de mais de 2 bilhões de litros do Mercosul e uma produção recorde resultaram em uma queda nos preços. Contudo, em 2026, a escalada dos custos logísticos, dos fretes e dos combustíveis, combinada com a entressafra e as mudanças climáticas, mantém os preços em patamares elevados, afetando toda a cadeia do agronegócio.
O cenário atual é descrito como preocupante tanto para consumidores quanto para os produtores. O pecuarista César, que adota tecnologias automatizadas na ordenha, relata que os altos investimentos não têm gerado retorno satisfatório nos últimos meses, afirmando que, entre novembro e fevereiro, os produtores estiveram em situação de prejuízo, recebendo menos pelo litro do leite do que o custo de produção.
A produção recorde do ano anterior, juntamente com o aumento das importações, havia feito com que os preços nos supermercados caíssem cerca de 13%. No entanto, em 2026, os custos operacionais elevados e a pressão do frete, influenciada pela alta dos combustíveis, mudaram drasticamente esse panorama.
Especialistas do setor projetam que a tendência de preços elevados deve persistir pelo menos até o meio do ano. Este cenário é exacerbado pela entressafra, que naturalmente reduz a oferta, além das mudanças climáticas e do aumento dos custos de transporte, que seguem pressionando a produção.





