Debate na Assembleia Legislativa do Paraná reforça necessidade de prevenção e melhorias no atendimento a pacientes renais
A audiência na Alep destaca o aumento de doenças renais no Paraná e discute prevenção, diagnóstico precoce e políticas públicas de saúde.
Contexto da audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná sobre doenças renais
A audiência pública realizada na Alep em 9 de março de 2026 trouxe à tona o aumento de doenças renais no Paraná, reforçando a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. A deputada estadual Cristina Silvestri (PP), proponente do evento, destacou que esta foi a terceira edição voltada ao tema, com o objetivo de ampliar o debate sobre políticas públicas e melhorar o atendimento à população afetada por essas enfermidades.
Principais dados apresentados sobre o aumento de doenças renais no Paraná
Especialistas alertaram que cerca de 1,2 milhão de paranaenses apresentam alterações iniciais na função renal, muitas vezes associadas a fatores como diabetes, hipertensão e obesidade. O nefrologista Ricardo Akel, superintendente do Instituto do Rim do Paraná, enfatizou que a prevenção é essencial para evitar que a doença avance para estágios que demandam diálise ou transplante.
A médica Maria Laura Neme, secretária da Sociedade Paranaense de Nefrologia, reforçou que a doença renal crônica é um problema global de saúde pública, atingindo aproximadamente 850 milhões de pessoas no mundo. Ela apontou que menos de 10% dos casos são diagnosticados a tempo, o que torna fundamental a realização de exames simples, como a dosagem de creatinina, disponível gratuitamente pelo SUS.
Desafios e avanços no atendimento a pacientes com doenças renais no Paraná
O sistema público de saúde enfrenta desafios significativos, segundo a secretária Márcia Huçulak (PSD), que apontou o financiamento insuficiente e o modelo de atenção reativo como obstáculos para a melhoria do atendimento. Entretanto, a audiência destacou algumas conquistas, como a redução de 50% na tarifa de água para clínicas de hemodiálise e a criação de uma frente parlamentar dedicada ao tema.
Ricardo Akel também elogiou a estrutura do sistema paranaense, considerado um dos melhores do Brasil para terapia renal substitutiva, com clínicas bem equipadas e profissionais qualificados. Contudo, ele alertou para a necessidade de atualização da tabela do SUS e maior apoio dos municípios para fortalecer a atenção básica.
Impactos econômicos e sociais do aumento de doenças renais no estado
Paulo Fraxino, vice-presidente da Região Sul da Sociedade Brasileira de Nefrologia, apresentou estudos que mostram o elevado custo do tratamento tardio das doenças renais. O atraso no diagnóstico aumenta significativamente os riscos de falência renal e complicações cardiovasculares, além de onerar o sistema de saúde.
Segundo as projeções, até 2032, o número de pacientes necessitando de diálise pode crescer 170%, com aumento de 80% na demanda por transplantes. Além do impacto financeiro direto, há prejuízos sociais, como absenteísmo no trabalho e aposentadorias precoces, que podem resultar em perda de R$ 1,3 trilhão para a economia brasileira até 2034.
Próximos passos e recomendações para políticas públicas de prevenção e tratamento
A audiência reforçou a importância da integração entre governo, sociedade civil e instituições médicas para implementar ações eficazes. Entre as recomendações estão a ampliação do acesso a exames preventivos básicos nos postos de saúde, campanhas de conscientização sobre fatores de risco e investimentos em estruturas de atendimento especializadas.
O fortalecimento da rede pública e a revisão do financiamento dos tratamentos renais também foram apontados como essenciais para garantir qualidade de vida aos pacientes e evitar o avanço da doença. A mobilização legislativa e o engajamento de especialistas indicam um caminho para enfrentar o aumento de doenças renais no Paraná com maior eficácia.





