Um novo estudo realizado por pesquisadores do Brasil e do Canadá aponta uma mudança significativa no perfil dos pacientes diagnosticados com câncer de pâncreas. Embora a maioria dos casos ainda ocorra em pessoas com mais de 55 anos, a pesquisa indica que a taxa de mortalidade e a incidência entre indivíduos de até 49 anos devem aumentar nas próximas décadas. Os resultados foram publicados na revista JCO Global Oncology e se basearam em dados do Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study, que abrange informações de 204 países e territórios.
O oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, destaca que o crescimento dos casos entre pessoas com menos de 50 anos está relacionado a um estilo de vida que inclui fatores de risco significativos, como obesidade, tabagismo e o consumo excessivo de álcool e alimentos ultraprocessados. Apesar da idade avançada ainda ser um dos principais fatores de risco, a mudança no perfil dos pacientes é motivo de preocupação crescente.
Nos Estados Unidos, a questão do câncer de pâncreas também tem ganhado destaque, levando a um movimento nacional voltado para aumentar a conscientização sobre a doença. O tumor, considerado um dos mais letais, apresenta uma taxa de sobrevida em cinco anos inferior a 20%, o que acentua a urgência em abordagens preventivas e terapêuticas.
Um dos principais desafios associados ao câncer de pâncreas é seu caráter silencioso. O oncologista Diogo Bugano, especialista em tumores do trato gastrointestinal do Einstein Hospital Israelita, explica que a doença é muitas vezes assintomática, não sendo detectada em exames de rotina, como os de sangue ou ultrassom abdominal. Quando os sintomas, como náuseas, dor abdominal irradiando para as costas, perda de peso inexplicada e icterícia, se manifestam, o tumor já pode estar em um estágio avançado.
Os tratamentos para o câncer de pâncreas variam de acordo com o estágio e a localização do tumor, englobando quimioterapia, radioterapia, cirurgia e terapias-alvo. Novas abordagens terapêuticas estão sendo desenvolvidas e prometem ampliar as opções disponíveis. Entre estas, os inibidores de KRAS, que visam a mutação genética presente em 90% dos casos, são uma das inovações em estudo e devem ser introduzidos no Brasil até o próximo ano. Esses medicamentos podem atuar diretamente nas proteínas KRAS, que promovem o crescimento celular descontrolado.
Além disso, novas quimioterapias estão em fase de desenvolvimento, com potencial para penetrar mais profundamente nos tecidos tumorais, geralmente apresentando menor toxicidade em comparação aos tratamentos tradicionais. O avanço nestas áreas representa uma esperança significativa para o tratamento do câncer de pâncreas, que deve enfrentar um aumento de casos, conforme projetado para 2026 e 2028, quando a previsão é que a mortalidade nessa faixa etária cresça em até 40%.





