As eleições de 2026 revelam um novo cenário em termos de representatividade feminina na política brasileira. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que as mulheres compõem 34,85% do total de candidaturas registradas, somando 7.165 concorrentes entre as 20.560 candidaturas apresentadas. Embora esse número represente um crescimento em relação aos 33,8% do pleito de 2022, ainda reflete a luta por uma maior paridade de gênero nos espaços de poder.
Do total de candidaturas, 13.395 são de homens, o que corresponde a 65,15%. Esse avanço, embora significativo, ainda evidencia que as barreiras estruturais para a igualdade de gênero persistem. As exigências legais de cotas e o financiamento público direcionado a candidaturas femininas e plurirraciais têm sido fundamentais para esse progresso, mas a representação feminina continua a ser um desafio.
A participação feminina no eleitorado nacional é expressiva, com as mulheres representando 52,8% do total, aproximadamente 83,9 milhões de eleitoras aptas. No entanto, essa proporção não se reflete no número de candidatas, que se concentra majoritariamente nas disputas proporcionais. A distribuição das candidaturas mostra uma variação significativa conforme o cargo almejado.
As candidaturas para as câmaras legislativas destacam-se, com 35,3% de registros femininos, sendo este o principal motor do crescimento. No entanto, a participação feminina em cargos executivos, como nos Governos Estaduais, é bem menor, com apenas 16,4% de candidatas. Na disputa pela Presidência da República, apenas duas mulheres são candidatas titulares, representando 15,4% das inscrições.
O perfil racial das candidatas também é revelador: 52,3% se autodeclaram pretas ou pardas, sendo 35% pardas e 17,3% pretas, enquanto 45,9% se identificam como brancas. Esses dados refletem um panorama interseccional que destaca a diversidade entre as mulheres que buscam espaço na política.
Apesar do cumprimento das normas eleitorais por muitos partidos, especialistas ressaltam que o verdadeiro desafio é garantir a efetivação desses espaços, bem como o acesso igualitário aos recursos das campanhas e a superação das barreiras culturais que ainda permeiam a política nacional. O TSE estabelece sanções rigorosas, incluindo a possibilidade de cassação de chapas, em casos de fraude às cotas de gênero.





