Guilherme, um bebê com menos de um ano, foi diagnosticado com linfedema primário, uma condição que se tornou conhecida após a viralização de um vídeo publicado pela fisioterapeuta Denise Faria. A gravação, compartilhada em 13 de fevereiro, mostra a evidente diferença entre o tamanho das pernas do menino, gerando uma série de comentários de pessoas que não estavam familiarizadas com a doença ou que confundiam seus sintomas com outras condições de saúde.
Denise Faria, especialista em linfedema e lipedema, observou que a repercussão do caso de Guilherme expôs uma problemática recorrente: a falta de informação e o diagnóstico tardio da doença. A profissional recebeu diversos relatos de indivíduos que apresentaram sintomas na infância, mas que nunca obtiveram um diagnóstico correto. Isso pode impactar negativamente o tratamento, uma vez que a identificação precoce da condição costuma resultar em um prognóstico mais favorável.
O linfedema é caracterizado por uma falha no sistema linfático, cuja função é drenar líquidos e resíduos do corpo. Quando esse sistema não opera adequadamente, ocorre o acúmulo de linfa — um líquido rico em proteínas —, especialmente em membros como braços e pernas. Esse acúmulo resulta em um inchaço persistente, que pode se agravar e se tornar crônico.
Rodrigo Biagioni, cirurgião vascular e coordenador do Departamento de Doenças Linfáticas da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), destacou que, caso não seja tratado, o linfedema pode evoluir com o tempo. O acúmulo de líquido provoca um inchaço crescente nos membros, podendo levar a endurecimento da pele, fibrose e até deformidades ao longo dos anos.
A condição é classificada em dois tipos: primário e secundário. O linfedema secundário é mais conhecido e geralmente associado a intervenções cirúrgicas oncológicas, como a remoção de linfonodos em pacientes com câncer de mama. O caso de Guilherme é um exemplo de linfedema primário, que ocorre sem uma causa externa específica. Denise esclarece que, nesses casos, a formação do sistema linfático é prejudicada desde o nascimento.
A especialista também alertou que, com o tempo, o tecido afetado pode se tornar fibrótico e endurecido, aumentando significativamente o membro e dificultando a mobilidade. Além disso, a assimetria pode afetar o desenvolvimento motor das crianças, gerando consequências psicológicas.





