Condições precárias na BR-324 afetam motoristas na Bahia

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A BR-324, que conecta Salvador ao interior da Bahia, enfrenta sérios problemas de conservação, impactando motoristas e caminhoneiros que utilizam a via. A rodovia, considerada essencial para a logística do Nordeste, apresenta trechos com asfalto danificado e falta de iluminação, além de um agravante: a interrupção do serviço de ambulâncias e socorro médico na região.

Com 60% da carga marítima do estado sendo escoada pelo Porto de Aratu, a BR-324 se torna um ponto crítico para as empresas do Polo Industrial de Camaçari, onde quase 100 indústrias dos setores químico, petroquímico e têxtil dependem da eficácia e segurança das transportadoras. O deterioramento das condições da rodovia gera riscos e prejuízos diretos para esses setores.

Motoristas relatam uma rotina repleta de desafios, como a necessidade constante de desviar de buracos, que podem causar danos significativos aos veículos. O caminhoneiro Carlos Alberto Santos Oliveira expressa sua frustração com a situação: "A gente tem que, o tempo todo, desviar para não perder o pneu. Tem acontecido muito tombamento por conta desses buracos".

A situação se agravou desde que a administração da rodovia foi transferida de uma concessionária privada para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Além da precariedade das estradas e da iluminação insuficiente, a suspensão do serviço de ambulâncias após o término do contrato com a prestadora de serviços aumentou a apreensão entre os motoristas.

Atualmente, o DNIT está em processo de licitação para contratar um novo serviço de emergência, mas a conclusão desse processo deve ocorrer apenas na próxima sexta-feira. A expectativa é que o restabelecimento do socorro médico ocorra apenas após o feriado de Tiradentes, quando o fluxo de veículos tende a aumentar. Essa situação gera preocupação, visto que a centralização das decisões em Brasília pode atrasar a resolução dos problemas locais.

Enquanto isso, motoristas, como José Carlos dos Santos, lamentam os prejuízos. "Caía em cada barroca que chegava a doer no juízo. Cortando pneu e acabando com tudo", desabafa, refletindo a insatisfação geral com as condições da BR-324 e a falta de assistência adequada.