Crise Climática Afeta Severamente Produção de Ostras em Florianópolis

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A produção aquícola em Santa Catarina atravessa um momento crítico, com as mudanças climáticas causando perdas significativas na produção de ostras, especialmente em algumas fazendas marinhas de Florianópolis. O aquecimento atípico das águas, verificado no último verão, resultou em uma drástica redução de até 90% na oferta do molusco, afetando diretamente a região que responde por mais de 90% do abastecimento nacional.

Especialistas e produtores locais confirmam que a morte em massa das ostras foi provocada pela elevação da temperatura do mar. A média histórica para a época gira em torno de 28 °C, mas em pontos de cultivo, as temperaturas chegaram a atingir até 34 °C. Essa situação compromete a qualidade e a quantidade das ostras, particularmente a espécie gigas, que é muito valorizada no mercado gastronômico.

Rita, uma maricultora com 25 anos de experiência no sul da ilha, menciona os prejuízos significativos em sua propriedade. Segundo ela, o aumento das temperaturas impactou severamente a produção. "Seria a época de estarmos com ostras de tamanho médio para grande, mas as grandes morreram. Eu devo ter perdido 70% da produção", lamenta a produtora, que utiliza os moluscos para agregar valor no seu restaurante.

As consequências dessa crise não se limitam apenas à produção, mas também geram preocupações sobre a manutenção de empregos na região. A maricultura é um dos pilares econômicos de Santa Catarina e é responsável por uma significativa geração de postos de trabalho. Com a redução drástica na oferta de ostras, há um temor entre os produtores de que a atual mão de obra não possa ser mantida.

"Vai levar um tempo para a gente se recuperar. Quem tem muita mão de obra vai ter que demitir? Isso vai causar um rebuliço na praia", analisa Rita, enfatizando a necessidade de ações imediatas para evitar uma crise social.

Em resposta a essa situação, o governo do estado anunciou uma linha de crédito emergencial para auxiliar os produtores. A medida visa mitigar os danos econômicos e apoiar a recuperação das fazendas marinhas. O financiamento, que pode chegar a até R$ 50 mil por produtor, oferece condições facilitadas, como carência e prazo de pagamento de cinco anos, sem juros, além de um rebate de 40% sobre o valor total.