O Brasil se posiciona atualmente como o maior importador de fertilizantes globalmente, uma situação que gera vulnerabilidades para o agronegócio nacional. O ex-ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, afirma que os fertilizantes representam o maior custo na pauta de importações do país. Essa realidade contrasta com 1989, quando o Brasil tinha uma produção interna robusta e uma menor dependência do mercado externo, mudança atribuída ao descaso de gestões anteriores em relação ao setor.
A crise na produção interna de fertilizantes é intensificada pela ineficácia do Plano Nacional de Fertilizantes. Cabrera destaca que esse plano não tem gerado os resultados esperados, mencionando o fechamento recente de fábricas que eram responsáveis por aproximadamente 18% da produção nacional. Essa retração na indústria local leva o Brasil a depender de importações para suprir a necessidade de fertilizantes, que são essenciais para a agricultura.
Os efeitos dessa dependência são sentidos diretamente pelo consumidor, uma vez que o fertilizante é considerado o "calcanhar de Aquiles" da produção agrícola no país. O alto custo de importação, aliado à instabilidade na oferta, desencadeia um efeito em cadeia que resulta no aumento dos preços dos alimentos e na inflação no ano seguinte à safra.
Para mudar essa realidade, Antônio Cabrera propõe a criação de uma "força-tarefa" governamental que busque explorar as reservas minerais internas do Brasil. A exploração da jazida de potássio localizada em Autazes, no Amazonas, é vista como uma solução potencial que poderia reduzir significativamente a necessidade de importações.
Essa urgência em encontrar soluções internas é ainda mais evidente diante da instabilidade geopolítica global. Tensão em áreas estratégicas, como as rotas comerciais no Estreito de Ormuz, provoca volatilidade e eleva os preços dos produtos NPK — que incluem Nitrogênio, Fósforo e Potássio — fundamentais para a produtividade agrícola brasileira.





