A escolha pela carreira de medicina costuma ser influenciada por representações de séries como Grey’s Anatomy, que retratam um cotidiano cheio de glamour, plantões e diagnósticos brilhantes. No entanto, a realidade enfrentada pelos estudantes é bem diferente, marcada por uma rotina intensa e a necessidade de desenvolver habilidades emocionais e disciplina constante.
Luanna Conde, 25, e Kamila Corrêa dos Santos, 23, são exemplos de como a vivência acadêmica pode desmistificar a imagem romantizada do curso. Ambas destacam a importância de desconstruir essa expectativa para conseguir atravessar a formação sem comprometer a saúde mental. Kamila, atualmente no sétimo período de medicina, reflete sobre suas impressões iniciais: "Eu achava que seria bem mais tranquilo. Aquela impressão estilo Grey’s Anatomy que todo mundo tem antes de entrar. Mas definitivamente não é isso".
A estudante relata que a realidade do curso se reflete no modelo PBL (Problem-Based Learning), que exige um aprendizado ativo e constante. “Não dá para passar um dia sem estudar”, alerta Kamila, enfatizando que a disciplina é a chave em um ambiente onde as cobranças são permanentes. Essa pressão pode ser um choque para vestibulandos que esperam uma jornada mais linear, semelhante à vivenciada no ensino médio.
Além da carga de estudos, os impactos emocionais são uma preocupação central. Kamila destaca a importância de cuidar da saúde mental, alertando que a falta de autocuidado pode levar ao esgotamento. A adaptação a um ambiente competitivo e a distância da família agravam essa situação, tornando essencial a construção de uma rede de apoio e a manutenção de vínculos fora da faculdade.
Luanna, assim como Kamila, ressalta que não é saudável se restringir apenas ao papel de estudante de medicina. Ela busca manter sua conexão com atividades que a fazem feliz, como música e esportes, durante a graduação. Esse equilíbrio é vital para não perder a essência pessoal no meio das exigências acadêmicas.
Ambas as estudantes concordam que a falta de uma visão realista sobre o curso pode aumentar os riscos de frustração e sofrimento emocional. Por outro lado, desenvolver autoconhecimento e estratégias de autocuidado antes de entrar na faculdade pode transformar a experiência de maneira positiva. Para elas, a medicina é uma escolha com um propósito significativo, mas que demanda preparo psicológico e dedicação contínua.





