A imagem do cirurgião focado durante uma operação é bastante familiar, mas a realidade desses profissionais vai além do que é retratado em filmes e séries. A rotina inclui visitas a pacientes internados, monitoramento de sua recuperação, diálogos com os familiares e trabalho em equipe, o que torna a profissão multifacetada.
Para entender melhor os desafios e a vivência na área, o Quero Estudar Medicina conversou com Ayrton Macedo, 30, que se formou pela Faculdade de Medicina da USP em 2019. Ele completou a residência em cirurgia geral na mesma instituição em 2023 e atualmente está finalizando a residência em urologia no Hospital Ipiranga, localizado em São Paulo.
Ayrton decidiu seguir a medicina entre o final do ensino fundamental e o início do ensino médio, motivado pela possibilidade de utilizar ciência e conhecimento para ajudar as pessoas. Embora tenha considerado carreiras em física e engenharia, a medicina se destacou como sua verdadeira vocação. Inicialmente, ele pensava em seguir pela clínica médica, mas essa perspectiva mudou no terceiro ano da faculdade, quando teve seu primeiro contato com a técnica cirúrgica e participou de um intercâmbio em Londres, onde fez um curso sobre videolaparoscopia.
O dia do cirurgião geralmente começa entre 5h e 6h, com a visita aos pacientes internados, onde ele avalia a evolução clínica e discute os planos de tratamento. A rotina inclui também a realização de cirurgias, a interação com a equipe e a necessidade de tomar decisões rápidas e precisas. O trabalho sob pressão e a hierarquia são aspectos que fazem parte do cotidiano dos cirurgiões.
Ayrton Macedo destaca que a cirurgia é uma área que exige um perfil específico, sendo necessária uma disposição para lidar com as demandas intensas do ambiente cirúrgico, que pode ser considerado agressivo. Ele observa que a profissão não deve ser escolhida apenas pela sua imagem idealizada, mas sim por um verdadeiro interesse em acompanhar os pacientes e atuar diretamente em seu tratamento.
O médico enfatiza que essas habilidades podem ser desenvolvidas ao longo da formação e da residência. Conhecer a realidade da profissão antes de tomar a decisão é crucial. Para ele, um cirurgião deve ter presença, energia e a capacidade de ser incisivo quando necessário, características que podem ser aprimoradas durante a trajetória profissional.





