A adoção de agentes de inteligência artificial (IA) começa a alterar a forma como as empresas contratam tecnologia. Em vez de licenciar softwares para que profissionais executem tarefas, organizações passam a buscar soluções capazes de realizar processos com autonomia supervisionada. O movimento questiona o modelo tradicional de licenciamento e favorece contratações baseadas na execução de atividades e na entrega de resultados.
Pesquisa global da McKinsey divulgada em 2026 aponta que 32% dos entrevistados afirmaram que suas organizações deixaram de adquirir ao menos um produto ou funcionalidade de software porque conseguiram desenvolver soluções internamente com o apoio de agentes de programação. A Gartner estima que até US$ 234 bilhões dos gastos com aplicações empresariais estarão expostos à chamada arbitragem agêntica até 2030, o equivalente a aproximadamente 20% dos gastos projetados com softwares empresariais por assinatura (SaaS).
Para Fábio Tiepolo, CEO da StaryaAI, a transformação está ligada à busca por produtividade e maior retorno sobre os investimentos em tecnologia. “A pressão é por produtividade, capacidade de crescimento e retorno sobre o investimento em tecnologia. Ter ferramentas disponíveis não significa que os processos estejam funcionando bem. Uma empresa pode ter CRM, sistema financeiro e plataforma de atendimento e ainda depender de pessoas para transportar informações e coordenar cada etapa do trabalho”, explica.
Vinícius Reis, CTO da StaryaAI, esclarece que as categorias não são necessariamente concorrentes. “SaaS é um modelo de disponibilização de software. Um agente é uma capacidade tecnológica que também pode ser oferecida como SaaS. Portanto, essas categorias não são necessariamente concorrentes”, afirma. Segundo o executivo, a implementação exige integração entre sistemas, definição de permissões e mecanismos de supervisão para garantir a segurança das operações.
Atendimento ao cliente, vendas, tecnologia e áreas administrativas estão entre os setores com maior potencial de adoção, especialmente em atividades repetitivas, com regras definidas e grande volume de demandas. Danilo Godoy Moreira, CGO da startup, avalia que aplicações isoladas, dedicadas a tarefas como classificar solicitações, preencher registros e encaminhar demandas, ficam mais expostas quando essas atividades podem ser incorporadas a um fluxo maior. A substituição de licenças por agentes não representa necessariamente redução de custos, pois a análise deve considerar despesas com implantação, integração, processamento, manutenção e supervisão humana, além dos resultados efetivamente alcançados.




