Na noite de quarta-feira (15), os Estados Unidos confirmaram a aplicação de uma nova sobretaxa de 25% sobre produtos provenientes do Brasil, o que já provoca reações no setor industrial. José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), expressou sua preocupação com a possibilidade de retaliações comerciais, ressaltando que a lei da reciprocidade seria a "pior das opções" para o país neste momento.
Roriz argumenta que o foco deve ser a negociação direta, considerando que o Brasil tem uma participação muito baixa no comércio internacional, enquanto os Estados Unidos contam com diversas alternativas para adquirir produtos de outros países. O aumento na carga tributária, que se soma à alíquota de 10% já existente, eleva a pressão sobre as exportações brasileiras para o mercado americano.
A Indústria do Plástico, Segundo Roriz, é uma das mais afetadas, dado que o material está intrinsecamente ligado a quase todos os segmentos industriais, seja como produto final, componente ou embalagem, apresentando uma correlação de 95%. Embora o governo brasileiro esteja considerando medidas de reciprocidade, o presidente da Abiplast adverte que taxar produtos americanos em 25% poderia inviabilizar o diálogo e prejudicar a pressão conjunta que empresas brasileiras e americanas poderiam exercer sobre a Casa Branca.
Outro ponto levantado por Roriz é o risco de aumento de preços no mercado interno. A dependência de insumos que vêm dos Estados Unidos é significativa, e uma nova tarifa elevaria ainda mais os custos de produção, já considerados altos em comparação aos concorrentes internacionais.
Além disso, o presidente da Abiplast destacou que as médias e pequenas empresas seriam as mais prejudicadas. A dependência do mercado americano é evidente, e a competição se torna ainda mais difícil com a China, que detém cerca de 33% da produção industrial mundial e possui custos de fabricação muito menores.
Atualmente, o Brasil responde por menos de 2% das exportações mundiais de plástico, o que torna a substituição dos produtos brasileiros por alternativas americanas uma tarefa simples para os Estados Unidos.





