Carlos Eduardo Carvalho, morador do interior da Bahia, saiu de casa aos 14 anos para dar continuidade aos seus estudos. Natural de Juazeiro e criado em Chorrochó, Cadu, como é conhecido, frequentou escola pública e logo percebeu que a educação poderia alterar o seu destino. Atualmente, aos 25 anos, ele se encontra no internato de medicina da Faculdade Ages de Medicina, localizada no Campus Jacobina (BA). Sua trajetória até esse ponto incluiu mais de seis anos de preparação e cerca de dez tentativas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
O caminho de Cadu foi repleto de obstáculos, incluindo reprovações, dificuldades financeiras, ansiedade e momentos de dúvida. Ele chegou a cogitar desistir em várias ocasiões, mas acredita que a força para persistir é fundamental. "Às vezes, você não precisa acreditar que vai conseguir. Você só precisa acreditar o suficiente para tentar mais uma vez", compartilha.
O desejo de se tornar médico não surgiu de uma única experiência, mas se desenvolveu ao longo do tempo. Cadu sempre teve um interesse em cuidar das pessoas e entender o funcionamento das coisas ao seu redor. A medicina, para ele, representa uma combinação de ciência, humanidade e propósito. Durante os anos de preparação para o vestibular, o sonho parecia distante e ele chegou a considerar outras opções de curso, mas a imagem de si mesmo usando jaleco nunca saiu de sua mente.
A família de Cadu desempenhou um papel crucial em sua jornada. Apesar das limitações financeiras, seus pais fizeram o que podiam para apoiá-lo em seus estudos. Para Cadu, a confiança e o incentivo recebidos foram tão valiosos quanto o suporte financeiro.
A responsabilidade que Cadu sentia também era significativa. "Eu não estava lutando apenas pelo meu sonho, mas também pela expectativa dos meus pais", comenta. Agora, no internato, ele se interessa por especialidades como ortopedia e traumatologia, embora pretenda explorar outras áreas antes de tomar uma decisão definitiva. Cadu deseja continuar envolvido em missões humanitárias e projetos comunitários, além de realizar residência médica e aprimorar seus conhecimentos.
A própria trajetória de Cadu se tornou um exemplo para aqueles que ainda buscam uma vaga na medicina. Ele aconselha a não se comparar com o tempo de outros, ressaltando que cada um tem seu próprio ritmo. "Alguns chegam mais rápido, outros demoram mais. O importante é continuar caminhando", conclui.





