A previsão de uma significativa redução na produção nacional de trigo para o ano de 2026 levanta preocupações sobre o aumento dos preços de itens básicos que têm a farinha de trigo como ingrediente principal. Com a expectativa de que a safra atinja o menor patamar desde 2020, o mercado interno já mostra sinais de alta nos preços do cereal, refletindo diretamente no custo de produtos como pão, biscoitos e bolos.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que a sustentação dos preços do trigo é resultado da diminuição da oferta. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou recentemente as previsões de oferta e demanda para a safra 2025/2026, reforçando a perspectiva desafiadora para o setor moageiro e a indústria alimentícia.
A atual estimativa aponta que a área total destinada ao cultivo de trigo no Brasil deve chegar a 2,22 milhões de hectares, o que representa uma queda de 9,2% em relação ao ciclo anterior, 2025. Embora Minas Gerais tenha visto um aumento na área plantada, esse crescimento não é suficiente para compensar a drástica redução esperada no Rio Grande do Sul.
Além da diminuição na área plantada, a produtividade média das lavouras também está projetada para sofrer uma queda. A atual estimativa é de 2.979 kg/ha, o que representa uma retração de 7,5% em relação à safra 2024/2025. Com a combinação desses fatores, a produção total de trigo deve alcançar 6,6 milhões de toneladas, um volume 16% inferior ao da safra anterior, 2024.
Essa redução implica que mais de 1,2 milhão de toneladas de trigo deixarão de ser disponibilizadas no mercado nacional, o que exigirá um aumento nas importações para atender à demanda da agroindústria. Para o setor de panificação, a menor disponibilidade de trigo de qualidade no mercado interno costuma obrigar a indústria a buscar suprimentos no exterior, elevando os custos logísticos e de produção.
Pesquisadores do Cepea atribuem esse cenário a uma combinação de fatores econômicos e climáticos. A baixa rentabilidade do trigo nos últimos anos tem desestimulado os produtores, que, quando enfrentam preços de mercado abaixo dos custos de produção, tendem a optar por outras culturas ou a reduzir o uso de tecnologia em suas lavouras.





