Promotor critica classificação do PCC como organização terrorista e aponta riscos para o Brasil

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Lincoln Gakiya, promotor de Justiça, manifestou sua opinião sobre a proposta de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Durante uma entrevista ao Canal Livre, Gakiya afirmou que essa mudança não traria vantagens para o Brasil e poderia expor o país a sanções econômicas por parte dos Estados Unidos. Ele destacou que, segundo a legislação americana, o Brasil poderia ser visto como um dos países com maior número de organizações terroristas do mundo, mencionando que existem 88 facções em atividade no país.

O promotor foi um dos críticos da inclusão dessa classificação em um projeto de lei proposto pelo deputado Guilherme Derrite (PL-SP), que buscava equiparar grupos como o PCC a organizações terroristas. Após resistência significativa, a proposta foi alterada, e o trecho referente à classificação foi retirado do texto. Gakiya argumentou que a confusão sobre o conceito de terrorismo é um equívoco, pois, embora o PCC e o Comando Vermelho pratiquem atos que podem ser considerados terroristas, seu foco principal é econômico e não ideológico.

Ele explicou que essas organizações não possuem uma agenda política, o que as diferencia de grupos terroristas tradicionais. Gakiya fez uma comparação com outras facções que estabelecem relações comerciais com organizações como o Hezbollah e o Estado Islâmico, ressaltando que as transações entre essas entidades não indicam um alinhamento político, mas sim um interesse econômico. "Eles se autofinanciam com tráfico de drogas e armas. Não quer dizer que o PCC está financiando a causa do Hezbollah", afirmou.

O promotor também comentou sobre um caso envolvendo uma fintech supostamente ligada ao PCC, que teria transferido recursos para contas associadas ao financiamento do Hezbollah. Gakiya minimizou a possibilidade de uma conexão direta entre os grupos, afirmando que os criminosos agiriam da mesma forma com qualquer cliente, independentemente da origem, buscando apenas a taxa das transações.

Além disso, Gakiya avaliou que o debate sobre a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado foi afetado pela polarização política. Ele se referiu aos acordos anunciados durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington, destacando que o que foi apresentado como um avanço concreto é, na prática, apenas um potencial acréscimo positivo, sem efetividade real, especialmente em um país que ainda enfrenta desafios significativos no combate ao tráfico de drogas.