Quarenta anos do desastre de Chernobyl: entenda as causas e consequências

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O acidente na usina nuclear de Chernobyl, ocorrido em 26 de abril de 1986, continua a ser o mais grave desastre nuclear da história. Neste domingo, a tragédia completa 40 anos, relembrando um evento que resultou na explosão do reator 4, localizado na então Ucrânia soviética. A investigação revelou que a catástrofe foi provocada por uma combinação de falhas no projeto do reator RBMK-1000 e erros graves cometidos durante um teste de segurança.

O reator RBMK-1000, utilizado em Chernobyl, apresentava uma fragilidade técnica conhecida como "coeficiente de vazio positivo". Essa característica implica que, ao se transformar em vapor, a água que resfriava o núcleo do reator formava "vazios" que absorviam menos nêutrons. Tal situação aumentava a reatividade do núcleo, elevando a potência do reator de forma perigosa. Especialistas em segurança nuclear alertam que esse fenômeno exigia um controle rigoroso dos procedimentos e dos sistemas de proteção automáticos.

Na noite do desastre, a equipe da usina realizava um teste para avaliar a autonomia das turbinas em caso de corte de energia. Durante os preparativos, os operadores desativaram vários sistemas de proteção e desligamento automático, levando o reator a uma condição de instabilidade extrema, operando fora dos limites seguros estabelecidos. Quando perceberam o risco, tentaram desligar o reator, mas uma peculiaridade nas barras de controle, projetadas para frear a reação em cadeia, dificultou a contenção da situação.

Além das falhas técnicas e operacionais, o contexto da Guerra Fria e a falta de uma cultura de segurança sólida na indústria nuclear soviética contribuíram significativamente para o acúmulo de vulnerabilidades e procedimentos arriscados que culminaram no acidente. O resultado foi uma explosão que liberou uma quantidade massiva de radiação, afetando não apenas a região, mas também outros países.

O processo de demolição dos reatores restantes da usina está programado para se estender até 2064, enquanto o Novo Confinamento Seguro será fundamental para a contenção de resíduos nucleares. Essa estrutura, que busca isolar os materiais radioativos, tem previsão de conclusão em 2028.

Chernobyl não é o único desastre nuclear que deixou cicatrizes na história. No Brasil, em 1987, um acidente em Goiânia envolvendo um aparelho de radioterapia abandonado resultou em quatro mortes imediatas e contaminação de 249 pessoas, levando ao monitoramento de mais de 112 mil indivíduos. No Japão, em 2011, o terremoto que causou o tsunami atingiu a usina de Fukushima Daiichi, levando a um derretimento severo do núcleo em três de seus seis reatores. Esses eventos ressaltam a necessidade de vigilância constante e de melhorias nas práticas de segurança em instalações nucleares em todo o mundo.