Durante uma entrevista ao programa Canal Livre, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, abordou a questão do colapso do Banco Master, atribuindo sua origem à impunidade existente no Brasil. Zema argumentou que falhas nos sistemas regulatórios não foram a causa principal do problema financeiro, mas sim a ausência de consequências para práticas ilícitas.
Zema destacou que a continuidade das condenações resultantes da Operação Lava Jato poderia ter diminuído a probabilidade de ocorrências semelhantes ao caso do Banco Master. Ele enfatizou que, com a desarticulação da Lava Jato, o país abriu espaço para a impunidade, comparando a situação a um convite para que infratores atuem sem receios de punição. "Nós tivemos uma Lava Jato que foi toda desfeita. Quando se tem essa impunidade, parece que você está falando: raposas, entrem no galinheiro quando vocês quiserem, que não vai acontecer nada com vocês", afirmou Zema.
O pré-candidato também traçou paralelos entre a impunidade e a segurança pública, defendendo que aumentar os custos do crime seria um dos meios mais eficazes para diminuir a violência. Zema alertou sobre os impactos dos mais de 40 mil homicídios registrados anualmente no Brasil, que, segundo ele, geram sobrecargas nos sistemas de saúde e afetam a Previdência Social, além de trazer consequências para as famílias das vítimas.
Ele ressaltou que esses custos, embora administráveis, são frequentemente ignorados pelos políticos, que tendem a priorizar ações mais visíveis e glamourosas em detrimento de questões que poderiam efetivamente melhorar a vida da população. "O Brasil está perdendo dinheiro a rodo com coisas que são gerenciáveis e que muitas vezes não interessam aos políticos porque não ganham votos", declarou Zema. "Fazer política, eu aprendi, não é muitas vezes fazer o que é melhor. Muitas vezes é fazer o que é mais visível, o que é mais glamuroso."
A fala de Zema se insere em um contexto mais amplo de debate sobre a segurança pública e a eficácia das políticas governamentais no Brasil, especialmente em um período eleitoral, onde a discussão sobre a impunidade e suas consequências se torna cada vez mais relevante para a população.





