O Sistema Único de Saúde (SUS) anunciará a oferta de um exame de sequenciamento genético, que será fundamental na prevenção e diagnóstico precoce dos cânceres de mama e ovário. Essa tecnologia, conhecida como sequenciamento de nova geração, já é aplicada na rede particular e permite a análise simultânea de milhões de fragmentos de DNA. O principal objetivo do exame é detectar mutações genéticas que possam indicar uma predisposição hereditária ao desenvolvimento dessas doenças.
Um exemplo da importância desse teste é o caso da advogada Tayná Machado, que enfrentou um câncer de mama aos 23 anos. Para ela, o resultado do exame genético foi negativo, o que afastou a possibilidade de um caráter hereditário da doença. Esse diagnóstico trouxe alívio à sua família, pois confirmou que seus parentes diretos não têm um risco elevado de desenvolver a patologia por questões genéticas.
A identificação de mutações genéticas através do exame possibilita a adoção de intervenções preventivas rigorosas. Pacientes com resultados positivos para mutações de alto risco têm a opção, junto a suas equipes médicas, de escolher estratégias de redução de danos. Entre essas medidas, destacam-se a mastectomia preventiva, que envolve a remoção cirúrgica das mamas, e a salpingo-ooforectomia, que é a remoção das trompas de falópio e dos ovários.
O médico geneticista Salmo Raskin explica que um resultado positivo não significa que a doença necessariamente se manifestará, mas indica uma predisposição. Com esse conhecimento, o paciente pode ter um acompanhamento mais próximo e realizar exames de rastreio com maior frequência, o que permite intervenções imediatas caso surjam alterações.
Ainda não há um prazo estabelecido para o início da realização do exame nas unidades de saúde do SUS. Essa implementação depende da publicação de uma portaria no Diário Oficial da União e da preparação da rede pública para atender à demanda e operar os equipamentos de alta tecnologia necessários para o sequenciamento.
A relevância dessa medida é acentuada pelos dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), que estima que, neste ano, o Brasil registre mais de 78 mil novos casos de câncer de mama e entre 7 mil e 8 mil novos casos de câncer de ovário. Especialistas em genética afirmam que a disponibilização desse exame no SUS representa um avanço histórico, permitindo que a população dependente do sistema público tenha acesso a recursos modernos em medicina personalizada e preventiva.





