O E-Prix de Berlim, etapa da Fórmula E, é realizado no Aeroporto de Tempelhof, um local que possui uma rica e complexa história. Desde sua primeira corrida em 2014, a competição tem se mantido no calendário, destacando-se como uma das poucas que permaneceram desde o início do campeonato. O aeroporto, que foi desativado para voos comerciais em 2008, serve agora como um espaço alternativo que combina a velocidade das corridas com um ambiente histórico.
Inaugurado entre 1936 e 1941, o Aeroporto de Tempelhof foi concebido pelo arquiteto Ernst Sagebiel e se tornou um ícone da aviação durante o regime da Alemanha Nazista. Sua construção foi uma demonstração do poderio aéreo do Terceiro Reich, possuindo um design que evocava a imagem de uma águia com as asas abertas. No entanto, a função civil do aeroporto foi abruptamente interrompida pela Segunda Guerra Mundial, quando se transformou em um centro de montagem de aeronaves militares.
Durante o conflito, o aeroporto foi utilizado pela Weser Flugzeugbau, que fabricava bombardeiros Junkers Ju 87 e caças Focke-Wulf Fw 190. Além disso, Tempelhof se tornou um campo para milhares de trabalhadores forçados provenientes de países ocupados, como a União Soviética, Polônia e França. Após a guerra, em 1945, o local passou a ser controlado pelas forças soviéticas e, posteriormente, pela Força Aérea dos EUA, tornando-se um importante centro de aviação comercial na Alemanha.
Entre 1948 e 1949, o aeroporto foi crucial durante a ponte aérea de Berlim, servindo como um ponto de suprimentos vital para a cidade. O tráfego civil foi retomado em 1951, e o saguão principal foi concluído em 1962. Contudo, o aeroporto foi oficialmente descomissionado em 2008.
A pista do E-Prix de Berlim, localizada no Aeroporto de Tempelhof, apresenta um desafio único para as equipes devido à sua superfície de concreto irregular, que causa um desgaste intenso nos pneus. Isso exige que as equipes ajustem suas estratégias de gerenciamento de borracha e energia. Além disso, a Fórmula E destaca a importância da criatividade no uso do espaço, permitindo que o evento se desenvolva em um ambiente que oferece liberdade em comparação às ruas convencionais.
A sustentabilidade também é uma prioridade para a Fórmula E. Não apenas os carros são projetados para serem ecológicos, mas a organização do evento busca minimizar o impacto no monumento histórico. Estruturas como o E-Village e as garagens são montadas de maneira que não deixem marcas permanentes no local, preservando assim sua integridade histórica.





