Na noite de terça-feira (7), Marine Le Pen, líder da ultradireita francesa, declarou que irá se candidatar à presidência da França nas eleições de abril de 2027. O anúncio foi feito durante uma entrevista a um canal de televisão, poucas horas após a condenação recebida por um tribunal de recursos em Paris. Le Pen foi sentenciada a três anos de prisão, dos quais dois anos foram suspensos, além de um ano sob monitoramento por meio de tornozeleira eletrônica, em decorrência de um escândalo de desvio de recursos do Parlamento da União Europeia.
Apesar da condenação, o tribunal também decidiu relaxar a pena de inelegibilidade que havia sido imposta a Le Pen no ano anterior, permitindo que ela possa se candidatar à sucessão de Emmanuel Macron. Durante a entrevista, a política afirmou: "Eu sou candidata esta noite" e expressou sua determinação em recorrer a todas as vias legais para provar sua inocência. Le Pen ainda comentou sobre seus planos de apelar à Corte de Cassação, a mais alta instância judicial francesa para questões criminais.
A condenação de Le Pen não foi a absolvição que ela esperava, mas a nova sentença trouxe alívio em alguns aspectos, como a redução do tempo de inelegibilidade. A proibição de exercer cargos públicos foi reduzida para 45 meses, com 30 meses suspensos. Isso significa que o período de 15 meses de inelegibilidade já foi cumprido desde sua primeira condenação em março de 2025, permitindo que ela concorra em 2027.
Entretanto, a imposição da tornozeleira eletrônica pode complicar sua campanha. Durante o julgamento, Le Pen admitiu ter cometido um "erro" ao reconhecer que alguns funcionários, pagos como parlamentares da UE, estavam realizando atividades para seu partido, que na época se chamava Frente Nacional. Ela defendeu que acreditava que essa prática era aceitável e criticou o Parlamento Europeu por não ter alertado sobre a irregularidade.
O advogado de Le Pen, Rodolphe Bosselut, argumentou no tribunal que a defesa da política é uma questão crucial para sua carreira, afirmando que ela confia no colegiado de juízes para decidir seu futuro político. Le Pen, que já foi candidata à presidência em várias ocasiões anteriores, incluindo 2012, 2017 e 2022, agora busca consolidar seu espaço no cenário eleitoral, onde já conta com o apoio de mais de 30% do eleitorado francês, superando seus rivais.
Com a decisão do tribunal, Le Pen espera que a Corte de Cassação não cometa um erro em sua próxima apelação e que sua elegibilidade seja mantida, permitindo que ela dispute a eleição de 2027 com todas as condições para uma campanha competitiva.





