Sintomas iniciais da doença de Parkinson podem passar despercebidos

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A doença de Parkinson é frequentemente associada ao tremor, porém esse sintoma não é uma regra para todos os pacientes. Em diversas situações, as manifestações iniciais podem ser sutis, como alterações na marcha, diminuição da destreza manual, redução na expressão facial e dificuldades para iniciar movimentos. Essa falta de conhecimento pode levar à demora na busca por avaliação médica.

Raíssa Barreto Vieira Soares, médica neurologista e especialista em distúrbios do movimento pela Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (USP-RP), enfatiza que o diagnóstico da doença é baseado na análise dos sintomas apresentados, no histórico clínico do paciente e em um exame neurológico detalhado. Ela ressalta que a ausência de tremor não exclui a possibilidade de Parkinson, uma vez que alguns pacientes podem apresentar inicialmente lentidão nas atividades, passos encurtados e dificuldade de coordenação.

Entre os sinais motores que podem surgir no início da doença, Raíssa destaca a dificuldade em realizar tarefas simples, como levar um talher à boca, e a perda de agilidade nas atividades manuais. Além disso, alguns pacientes experimentam o que é conhecido como congelamento da marcha, onde a sensação de que os pés estão presos ao chão torna difícil iniciar ou retomar o movimento.

Essa limitação pode ser mal interpretada por familiares, que podem associar a dificuldade a preguiça ou desânimo. Raíssa esclarece que o congelamento da marcha não é uma questão de falta de vontade. O paciente pode ter plena consciência de que deve avançar, mas ainda assim não consegue mover os pés. Essa compreensão é crucial para evitar julgamentos e promover um cuidado mais adequado por parte da família.

Outro aspecto que merece atenção é a redução da expressão facial, que pode ser confundida com apatia. A médica destaca que essa alteração também pode ser um indicativo da condição, reforçando a importância de uma avaliação completa dos sintomas.

A trajetória acadêmica de Raíssa Barreto Vieira Soares é voltada para o estudo de distúrbios do movimento e neurologia comportamental. Atualmente, ela atua como professora substituta na Universidade Federal do Piauí e realiza atendimento a pacientes em Teresina e Floriano, abordando não apenas a doença de Parkinson, mas também outras condições neurológicas e cognitivas.