O escritor Jorge Bernardi faz nesta terça-feira, 20 de outubro, às 15h, o pré-lançamento do romance Terra em Fúria, Recordações do Grande Terremoto de Coré-Etuba. O evento ocorre no Instituto Histórico e Geográfico do Paraná (IHGP), na Rua José Loureiro, 43, no Centro de Curitiba, com palestra gratuita e aberta ao público.
A narrativa mistura ficção, história e ciência para imaginar os efeitos de um grande terremoto na capital paranaense e se passa na década de 1990, quando Jorge Bernardi, ex-vereador, presidia a Câmara Municipal de Curitiba. O livro aborda falhas, fraturas e zonas de cisalhamento da região, citando a Falha da Lancinha, ligada ao sistema de falhas Cubatão-Lancinha, e estruturas do Gráben de Curitiba.
Segundo o autor, o objetivo é estimular o debate sobre riscos sísmicos e a importância do conhecimento geológico no planejamento urbano. Bernardi afirma que um terremoto de grandes proporções em Curitiba é considerado pouco provável, mas defende que o tema não deve ser ignorado. A ideia do romance surgiu após um tremor registrado em 2017 entre Rio Branco do Sul e Itaperuçu, que também foi percebido na capital.
“Eu mesmo ouvi e senti o tremor em minha residência, no bairro Ahú. Foi a partir daquele acontecimento que comecei a estudar a geologia da nossa região. Dessas pesquisas nasceu o romance”, relata o escritor. Doutor em Gestão Urbana, ele não é geólogo, mas usa a literatura para aproximar o público de um assunto pouco discutido. Na avaliação de Bernardi, a existência de falhas geológicas não significa ameaça iminente, mas reforça a necessidade de conhecer as características do território.
A obra também questiona a capacidade de resposta das cidades a eventos sísmicos e propõe reflexão sobre a segurança de edificações, pontes, viadutos e redes de infraestrutura essencial. Bernardi destaca que a prevenção depende tanto do conhecimento científico quanto de medidas para reduzir a vulnerabilidade das construções e da infraestrutura, com o intuito de estimular o debate entre população, especialistas e poder público sobre como preparar as cidades para eventos raros, mas potencialmente graves.




