A Urbs (Urbanização de Curitiba S.A.) encaminhou ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TC-PR) sua manifestação de defesa contra a decisão que suspendeu a licitação do transporte coletivo da capital paranaense. O leilão estava marcado para o dia 26 de novembro, na Bolsa de Valores de São Paulo. A decisão cautelar foi do conselheiro Fábio Camargo, que manteve o posicionamento na reunião de quarta-feira (21). O conselheiro Augustinho Zucchi pediu vistas e o processo deve voltar à pauta na próxima quarta-feira (28).
O presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, afirmou que respeita a decisão do TC-PR, mas sustenta que o edital foi construído dentro das características de integração metropolitana. Segundo ele, todas as linhas permanecem integradas e não haverá duplicidade de cobrança. “Essas linhas integradas são compartilhadas e não seccionadas. A integração é justamente para que não haja sobreposição de linhas. A Urbs coloca parte do ônibus e a Amep coloca a outra parte”, declarou.
O compartilhamento é regido por convênio firmado entre o governo do Estado do Paraná e a Prefeitura de Curitiba com vigência até março de 2027, podendo ser renovado ou prorrogado. Linhas compartilhadas com a Amep em ligações como Curitiba, São José, Pinhais, Colombo e Campo Largo foram criadas para unificar linhas urbanas e metropolitanas, em operação conjunta que, segundo a Urbs, favorece os passageiros que transitam entre a capital e as cidades conurbadas.
A decisão do TC-PR cita as linhas 106-Barreirinha/São José, 304-Pinhais/Campo Comprido, 607-Colombo/CIC e 702-Caiuá/Cachoeira. “Nossa defesa esclarece justamente isso, que não há sobreposição de linhas porque elas são compartilhadas e não seccionadas. O usuário nunca irá pagar a mais. O sistema é feito para beneficiá-lo”, afirmou Ogeny Pedro Maia Neto.
Em 2023, a Urbs iniciou parceria com o BNDES para elaboração de estudos e do edital da nova concessão. O processo que culminou com a publicação do edital em 19 de agosto deste ano contou com a participação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e de técnicos do Tribunal de Contas, além de duas audiências públicas realizadas em outubro de 2025 e de consulta pública online aberta entre setembro e novembro de 2025. O edital prevê cerca de 1.500 ônibus novos ao longo do contrato, ampliação da frota elétrica, mais linhas e veículos com ar-condicionado, com investimento de R$ 3,9 bilhões.




