Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e levanta dúvidas sobre viagem e cumprimento de decisões judiciais

Compartilhe

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do território brasileiro ganhou novos detalhes neste domingo (1º), com a exibição de uma reportagem que descreveu uma operação internacional envolvendo aviões particulares, veículos terrestres e documentos migratórios. O caso começou após o Supremo Tribunal Federal determinar medidas cautelares contra o parlamentar, incluindo a entrega de passaportes e a proibição de deixar o país. Segundo comunicado oficial da Polícia Federal, Flávio não cumpriu a determinação de entregar eventuais documentos de viagem de outras nacionalidades dentro do prazo estabelecido.

Registros migratórios argentinos apresentados na reportagem apontam três entradas em nome de Flávio Bolsonaro em um intervalo de aproximadamente 34 minutos, utilizando passaporte italiano, carteira de motorista e passaporte brasileiro. Apenas o registro com o documento italiano permaneceu válido. Familiares do senador teriam seguido de Brasília para Cascavel, no Paraná, antes de realizar o deslocamento terrestre até a Argentina. Outra linha investigativa indica que Flávio teria chegado a Puerto Iguazú por via aérea, após passar pela região de Buenos Aires. As informações sobre os trajetos ainda apresentam divergências que precisam ser esclarecidas.

A operação também teria envolvido a presença de um homem apontado como ex-integrante do serviço de inteligência israelense, além de veículos de escolta observados por jornalistas argentinos. O voo particular de Puerto Iguazú para os Estados Unidos, com escala no Equador, teria custado aproximadamente US$ 150 mil, cerca de R$ 800 mil, conforme informações divulgadas sobre a contratação da aeronave. A utilização da região de fronteira entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú coloca em evidência os mecanismos de fiscalização migratória e a atuação das autoridades responsáveis pelo controle territorial.

Já nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro divulgou uma extensa manifestação nas redes sociais, intitulada Nota ao Brasil, na qual contestou as medidas judiciais, criticou a TV Globo e afirmou ser vítima de perseguição política. O senador declarou que sua saída do território nacional não representava uma fuga e sustentou que buscava condições para exercer livremente o direito de manifestação. Também afirmou que pretende conceder entrevistas a veículos brasileiros e internacionais, nas quais apresentará sua versão dos acontecimentos.

A Polícia Federal informou que investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais. A própria instituição ressalvou que a existência de restrições documentais não caracteriza, isoladamente, a condição de foragido nem autoriza automaticamente uma prisão. O episódio reúne questões jurídicas, políticas e diplomáticas que dependem de documentos, investigação e decisões fundamentadas para serem esclarecidas.