Impacto da Cocaína em Salmões: Estudo Revela Aumento na Atividade dos Peixes

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Uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Griffith, na Austrália, e da Universidade Sueca de Ciências Agrárias, revelou que salmões expostos à cocaína apresentam um aumento na distância que nadam em comparação àqueles que não têm contato com a substância. Os resultados, divulgados em 20 de dezembro de 2023, foram publicados na revista científica Current Biology.

O estudo analisou o comportamento do salmão-comum em seus habitats naturais, com foco na benzoilecgonina, um metabólito da cocaína. Os pesquisadores capturaram cerca de cem salmões no lago Vättern, na Suécia, e monitoraram seus deslocamentos após a exposição à droga. Os dados mostraram que os peixes expostos nadaram até 1,9 vezes mais longe por semana e se dispersaram até 12,3 quilômetros a mais pelo lago.

Marcus Michelangeli, coautor do estudo e membro do Instituto Australiano de Rios da Universidade Griffith, expressou preocupação com as alterações no comportamento animal causadas por substâncias químicas. Ele ressaltou que a presença crescente de drogas e medicamentos em rios e lagos é alarmante e demanda atenção.

Os cientistas alertaram que a poluição das águas por medicamentos comuns representa um risco significativo para a biodiversidade. Michael Bertram, professor associado da Universidade Sueca de Ciências Agrárias, destacou a necessidade de aprimorar o tratamento e o monitoramento do esgoto, uma vez que a presença de substâncias como a cocaína não é um fenômeno isolado.

Natascha Wosnick, autora principal do estudo, apontou que a contaminação por drogas ilícitas não é a única preocupação, já que substâncias legais como a cafeína também têm sido detectadas em tubarões e outros organismos aquáticos. Em 2024, a Fundação Oswaldo Cruz divulgou que tubarões no litoral do Rio de Janeiro testaram positivo para cocaína, com possíveis fontes de contaminação incluindo laboratórios clandestinos e resíduos de usuários.

As hipóteses sobre a contaminação dos peixes no estudo atual são semelhantes, indicando que a eliminação parcial de substâncias pelo corpo humano resulta na contaminação das águas através de esgotos. Essa pesquisa levanta questões importantes sobre o impacto ambiental e a necessidade de estratégias eficazes para enfrentar a poluição aquática.