Acusações de Trump sobre interferência eleitoral complicam relação com a China

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As novas alegações feitas por Donald Trump sobre uma suposta interferência da China nas eleições presidenciais de 2020 nos Estados Unidos podem prejudicar a delicada trégua que ele mantém com o líder chinês, Xi Jinping. Essa situação se agrava com a aproximação de uma cúpula entre os dois, marcada para ocorrer em Washington dentro de dois meses.

Em um pronunciamento televisionado realizado na noite de quinta-feira (16), Trump voltou a disseminar teorias sobre fraudes nos sistemas de votação e na contagem de votos nos EUA, em um momento em que seu partido se prepara para desafios eleitorais significativos nas eleições de meio de mandato, que acontecerão em novembro. Durante um discurso de 25 minutos, ele destacou a segurança eleitoral como um tema central para sua campanha política.

As Acusações de Trump foram direcionadas principalmente à China, onde ele afirmou que o país teria acessado indevidamente dados de milhões de eleitores americanos. "Essa perda de dados representa um pesadelo sem precedentes para a segurança eleitoral", declarou o ex-presidente, tentando enfatizar a gravidade da situação.

A resposta da China foi imediata, com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmando que as alegações de Trump são meras invenções. Liu Chang, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, também reiterou que a China nunca interferiu e nunca interferirá nas eleições presidenciais dos EUA. Essas declarações refletem um esforço da China para desmentir as acusações e manter a integridade de sua posição internacional.

Trump, que frequentemente menciona sua relação cordial com Xi, fez acusações diretas ao governo chinês, afirmando que a liderança chinesa desejava sua derrota nas próximas eleições. "O governo chinês queria que o presidente dos EUA perdesse a próxima eleição, e a razão pela qual queriam que eu perdesse é porque sabiam que eu os conhecia bem", afirmou, destacando um distanciamento das declarações mais amenas que fez em relação à China nos últimos meses.

Além das acusações, a retomada do discurso sobre interferência estrangeira se insere em uma estratégia de Trump para controlar o debate sobre as eleições americanas, levantando dúvidas sobre a legitimidade de futuras votações em caso de derrotas. Eva Galperin, diretora de segurança cibernética da Electronic Frontier Foundation, comentou que essa abordagem visa preparar o terreno para as próximas eleições de meio de mandato.